Vale aguarda infra-estrutura no Pará para viabilizar siderúrgica

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RIO - A Vale aguarda que os governos estadual e federal dêem prosseguimento aos projetos de infra-estrutura no Pará para poder viabilizar a construção de uma siderúrgica com capacidade entre 2,5 e 5 milhões de toneladas por ano, informou o presidente da mineradora, Roger Agnelli.

Ainda sem um parceiro estrangeiro para a unidade, ao contrário de outros projetos siderúrgicos estimulados pela Vale no país, a siderurgia no Pará poderá ser feita sem sócios, admitiu Agnelli, que entretanto não acha isso provável.

- O governo federal ficou de terminar a eclusa de Tucuruí, o governo estadual junto com o federal ficou de olhar o porto (de Espadarte). Quando tudo isso estiver claro, com o estudo de viabilidade pronto, nós vamos ver se vamos buscar parceiros ou não. Certamente vamos querer - disse o executivo a jornalistas durante o I Encontro Nacional da Siderurgia, ressaltando que a usina será feita 'com ou sem parceiros'.

Agnelli voltou a criticar a verticalização de siderúrgicas brasileiras, que vêm buscando a compra de minas de minério de ferro para reduzir o custo, afirmando que esses recursos seriam muito melhor utilizados no aumento de capacidade para enfrentar a competição no mercado mundial.

Recentemente, a Vale anunciou a venda de sua participação acionária na Usiminas, afirmando discordar da visão estratégica da companhia, que adquiriu a mineradora JMendes no início deste ano.

- Estão alocando capital de maneira errada, ineficiente. Se a siderurgia brasileira ou outras siderúrgicas do mundo inteiro não pensarem estrategicamente em se posicionar no jogo da consolidação mundial, vão perder espaço - afirmou.

Segundo Agnelli, a verticalização 'é uma moda' e a competitividade da siderurgia depende de tecnologia e escala. - Tivemos um excesso de conservadorismo no crescimento da siderurgia - avaliou.

O presidente da maior produtora de minério de ferro do mundo disse ainda que o ciclo de crescimento do preço do minério será mais longo do que se imaginava, com vários países, inclusive o Brasil, investindo em infra-estrutura. Segundo ele, a estabilidade só será obtida com o equilíbrio entre a oferta e a demanda, o que está longe de ser conseguido.