Investidor tem dificuldade em projetar Selic

SÃO PAULO, 3 de junho de 2008 - A discussão sobre o aumento de juro deve continuar pautando os negócios, pelo menos, até amanhã quando será definido o rumo da taxa Selic, atualmente em 11,75% ao ano. No mercado as postas oscilam entre elevação de 0,50 e 0,75 ponto percentual. Há quem diga que não seria surpresa um aumento de 1 ponto. Nos últimos dias, os investidores se valeram de declarações do Banco Central (BC) e do governo, projeções e simulações para os indicadores de inflação para tentarem antecipar o resultado da decisão de política monetária. No entanto, a dúvida em relação ao tamanho da alta que o colegiado irá promover nos juros continua e ainda há a preocupação de até quando esse ciclo de ajustes será necessário. Toda a curva (tendência) dos juros continua sinalizando novas elevações da Selic nos próximos meses.

O presidente da ASB Financeira, José Arthur Assunção, enfatiza que o BC será implacável com a inflação durante todo esse ano. "Uma inflação levemente acima do centro da meta de 4,5%, que para a maioria dos agentes econômicos parece não ser tão preocupante, para o BC é um mal que precisa ser cortado pela raiz". Para Assunção, a taxa Selic chega, no mínimo, a 13,75% até o fim de 2008. "Para as próximas três reuniões, espero novas elevações da Selic de 0,5 ponto percentual", prevê.

Hoje o dia na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) foi de recuo nas projeções de juros dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) decorrente do resultado da produção industrial em linha com as expectativas dos analistas. O DI de janeiro de 2010 apontou taxa anual de 14,17%, ante 14,28% do ajuste anterior.

Segundo a Pesquisa Industrial Mensal Produção Física divulgada nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a produção industrial aumentou 0,2% em abril, frente a março, na série com ajuste sazonal. Em relação a abril de 2007, houve expansão de 10,1% - a maior taxa desde outubro de 2007.

As atenções também ficaram centradas nas declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, Ben Bernanke, que em discurso em Barcelona, sinalizou que novas reduções de juros são improváveis devido as preocupação com a inflação.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)