Índice cai com commodities, setor financeiro e Copom

SÃO PAULO, 3 de junho de 2008 - A desvalorização das commodities no mercado internacional - que puxou para baixo os principais papéis brasileiros - aliada a retomada das preocupação com o mercado financeiro norte-americano levou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a encerrar o pregão desta terça-feira em forte queda de 2,62%, aos 70.011 pontos. O giro financeiro somou R$ 6,56 bilhões.

A desvalorização do preço do barril de petróleo - próximo a US$ 124, menos patamar em duas semanas - o valor da cesta de metais acabou e expectativa de alta nos juros brasileiro influenciando, negativamente, os principais papéis do Ibovespa - Petrobras e Vale. As ações preferenciais e ordinárias da Petrobras recuaram 4,7% e 5,03%, respectivamente. Já as ações preferenciais série A da Vale caíram 3,46%, enquanto que as ações ordinárias recuaram 3,97%.

O discurso feito pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Ben Bernanke, repercutiu no preço das commodities. Bernanke manifestou hoje sua preocupação com a fraqueza do dólar ante outras moedas e disse que avaliará medidas "para prevenir o risco" de inflação na economia norte-americana. Segundo o presidente do banco central norte-americano, os desafios enfrentados pela economia nos últimos doze meses geraram pressão na cotação do dólar em nível internacional, o que acabou contribuindo para um aumento dos preços de importação e preços ao consumidor.

Ainda no mercado doméstico, o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia amanhã o rumo da taxa básica de juros brasileira. Uma parcela majoritária do mercado aposta em uma alta de 0,5 ponto percentual (p.p). Porém, há economistas que acreditam em uma alta de 0,75 p.p. A possível alta dos juros acabou influenciando papéis do setor de construção civil, que lideraram as perdas do Ibovespa.

Mas, não foram só estes fatores que influenciaram o movimento da bolsa paulista nesta terça-feira. No front externo, o banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers Holdings anunciou que poderá levantar até US$ 4 bilhões de capital extra para reforçar seu balanço. O novo capital indica que o prejuízo da companhia no segundo trimestre pode ser superior a US$ 300 milhões.

Vale lembrar que ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor´s rebaixou a nota do Lehman Brothers, Merrill Lynch e Morgan Stanley, e revisou para "negativa" a perspectiva da nota do Bank of America e do JP Morgan Chase.

Dentre os destaques positivos do Ibovespa estão Light ON, que subiu 2,1%, a R$ 24,30; Cyrela ON, que avançou 1,37%, a R$ 11,06; e Ultrapar PN que registrou alta de 1,2%, a R$ 63,30. No sentido oposto, Vivo PN caiu 5,93%, a R$ 10,31; JBS ON recuou 5,46%, a R$ 9,17; e Rossi ON registrou queda de 5,06%, a R$ 14,81.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o Ibovespa com vencimento em junho registrou queda de 2,5%, a 70.200 pontos.

(Vanessa Correia - InvestNews)