Dólar fecha abaixo de R$ 1,63, à espera de Copom

SÃO PAULO, 3 de junho de 2008 - O dólar voltou a testar a mínima em nove anos, abaixo de R$ 1,63, em meio à expectativa de elevação na Selic e a melhora de humor externo. No fim do dia, a moeda estrangeira recuou 0,12%, cotada a R$ 1,627 na compra e R$ 1,629 na venda.

Os dados da produção industrial apresentados pela manhã não alteraram as perspectivas para o rumo do juro brasileiro, fixado em 11,75% ao ano. Com isso, a reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom) pode resultar, amanhã, em novo aumento entre 0,50 e 0,75 ponto percentual na taxa e um posicionamento mais firme do Banco Central no combate à inflação.

Sidnei Nehme, economista-chefe da corretora NGO lembra a falta de consenso sobre o tamanho do ajuste monetário, entretanto, ressalta que, há grande expectativa de que no comunicado o Copom possa deixar indicativos mais claros sobre a longevidade do ciclo de altas, visto que o cenário inflacionário do País deteriorou-se no período transcorrido desde a última reunião, quando posteriormente passou-se a admitir que seria de curta duração.

Segundo o economista, a reversão de posição dos investidores estrangeiros de compradas para vendidas no mercado de derivativos também contribuiu com a queda do dólar. "A revitalização dessas operações derivativas combinadas com o fluxo de investimento estrangeiro em papéis de renda fixa reforçaram os ingressos", comentou.

Em Wall Street, as bolsas de valores reagiram aos números sobre as encomendas à indústria nos Estados Unidos e ao resultado melhor do que o esperado da construtora Toll Brothers e subiram. Além disso, as considerações do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke de que as condições econômicas devem melhorar no segundo semestre, embora os riscos de desaceleração persistem também repercutiram positivamente.

Em abril, de acordo com o departamento do comércio, os pedidos industriais cresceram 1,1%, após avanço revisado de 1,5% em março.

Na última hora dos negócios, o BC interveio no câmbio e comprou dólares a uma taxa média de R$ 1,6295.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)