Captações devolvem otimismo aos negócios e dólar cai

SÃO PAULO, 3 de junho de 2008 - O aumento das captações e investimentos externos no País, por conta do grau de investimento, ajuda a devolver o clima de otimismo aos negócios. Instantes, o dólar comercial cedia 0,67%, cotado a R$ 1,618 na compra e R$ 1,620 na venda.

Na véspera, mais duas instituições, os bancos Fibra e Daycoval, confirmaram captações no exterior, num total de US$ 275 milhões. Nesta manhã, o diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch informou que a empresa pretende captar US$ 500 milhões em eurobônus.

No entanto, as preocupações com o quadro externo e as perspectivas de que o governo seja mais agressivo nas compras de dólares e possa, inclusive, reduzir as alíquotas de importação de alguns produtos para ajudar no combate à inflação barram uma queda mais acentuada do dólar.

No exterior, o banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers Holdings anunciou que poderá levantar até US$ 4 bilhões de capital extra para reforçar seu balanço. O novo capital indica que o prejuízo da companhia no segundo trimestre pode ser superior a US$ 300 milhões. Além disso, ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) rebaixou a nota do Lehman Brothers, Merrill Lynch e Morgan Stanley, e revisou para "negativa" a perspectiva da nota do Bank of America e do JP Morgan Chase.

Por aqui, começa hoje a reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom). Com os avanços dos índices de inflação, a maior ala do mercado espera que o colegiado do Banco Central eleve a taxa básica de juro em 0,50 ponto percentual, para 12,25% ao ano. Para os analistas da consultoria LCA, o copom deve aumentar a Selic em 0,75 ponto.

Segundo a LCA, apesar das revisões para baixo nas projeções do superávit comercial em 2008 e 2009, a perspectiva é de que o real seguirá em apreciação. "O estímulo adicional ao fluxo financeiro e de investimento externo direto suscitado pela elevação do Brasil a investment grade tende a compensar a queda do saldo em transações correntes", frisa a consultoria em relatório, ressaltando que o câmbio valorizado deverá exercer pouca influência sobre as decisões de política monetária no curto prazo. Isto porque, a intensificação das pressões de custos e o desarranjo das expectativas de inflação deverão levar o Copom a acelerar o ritmo de elevação da Selic.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)