Dólar sobe acompanhando piora externa

SÃO PAULO, 2 de junho de 2008 - A moeda norte-americana teve uma manhã volátil com os investidores acompanhando a piora no mercado externo. Depois de oscilar entre a mínima de R$ 1,630 e a máxima de R$ 1,636, a divisa estrangeira encerrou a primeira etapa do dia em alta de 0,25%, vendida a R$ 1,632.

Internamente, os investidores receberam o resultado da balança comercial brasileira que registrou superávit de US$ 1,117 bilhão (diferença entre o volume exportado e o importado) na quinta semana de maio - de 26 a 31 -, sendo que as exportações somaram US$ 4,456 bilhões e as importações atingiram US$ 3,339 bilhões. A corrente de comércio (soma das exportações com as importações) totalizou US$ 7,795 bilhões.

Para profissionais, a manhã foi de ajuste técnico no mercado de câmbio após três dias de queda. No entanto, vale ressaltar que a tendência da moeda norte-americana continua sendo de queda, principalmente, diante da expectativa de nova elevação da taxa Selic, fixada em 11,75% ao ano. Na quarta-feira o Comitê de Política Monetária (Copom) definirá o rumo da taxa básica de juros da economia brasileira e o mercado segue dividido entre um aumento de 0,50 e 0,75 ponto percentual.

A corretora AGK ressalta que o reconhecimento externo de que os fundamentos do país estão mais sólidos, em meio à possibilidade de que o já alto diferencial de juros a favor do Brasil fique ainda maior, deve continuar exercendo pressão de queda do dólar ante o real. Por outro lado, a perspectiva de que o governo seja mais agressivo nas compras de dólares e de que possa, inclusive, reduzir as alíquotas de importação de alguns produtos para ajudar no combate à inflação devem segurar uma queda muito acentuada das cotações do dólar ante o real.

Nos Estados Unidos, os principais índices perdiam mais de 1%, com os investidores preocupados com a inflação e também com a notícia de que o banco inglês Bradford & Bingley (B&B) pode captar menos recursos que o planejado com a venda de ações.

Pela manhã foi informado que os gastos com construção nos Estados Unidos recuaram 0,4% em abril. Outro indicador divulgado foi o índice que mede a atividade manufatureira norte-americana (ISM Index, em inglês) que superou as expectativas do mercado no mês de maio, ao registrar 49,6 pontos, enquanto a Concórdia Corretora projetava 48,3 pontos.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)