Dólar começa semana de decisão de juros em alta

SÃO PAULO, 2 de junho de 2008 - Passada a euforia com o investment grade anunciado pela agência de classificação de risco Fitch na semana passada, além da maior aversão ao risco, o dólar voltou a fechar em alta. Alinhada a deterioração do quadro externo e após dois dias seguidos em baixa, em novas mínimas em mais de nove anos, a divisa estrangeira subiu 0,18%, a R$ 1,631 na venda.

Para o economista-chefe da corretora NGO, Sidnei Nehme, findo o movimento orquestrado pelos bancos em torno da formação da Ptax, o dólar tende a ser pressionado para cima, já que estes próprios bancos seguem com posições compradas na ordem de US$ 12 bilhões no mercado físico. "Os bancos devem atuar no sentido de reabilitar o preço da moeda americana, buscando colocá-la em patamar mais adequado aos seus interesses imediatos, já que precisam agora defender este posicionamento físico construído a taxas entre R$ 1,67 e R$ 1,70", comentou.

No exterior, o estopim para o mau humor mais uma vez partiu do setor financeiro. O décimo maior banco inglês, Bradford & Bingley, alertou que fará uma reestruturação por conta de dificuldades enfrentadas nos primeiros meses deste ano. Já os norte-americanos Washington Mutual e Wachovia dispensaram seus presidentes.

Também nos Estados Unidos foi divulgada uma pesquisa mostrando que o otimismo do investidor norte-americano recuou em maio ao nível mais baixo desde o começo da guerra no Iraque, há cinco anos. De acordo com o instituto Gallup, o índice caiu para 15 pontos em maio contra 22 no estudo anterior, em março. Há um ano, era de 95 pontos. Em resposta a tal cenário, o Dow Jones registrava baixa de 1,42%, enquanto a bolsa eletrônica Nasdaq caía 1,79%.

Do lado econômico, entretanto, os dados foram melhores do que o esperado. O índice de atividade industrial dos EUA subiu em maio depois de três meses de queda, e o recuo no gastos com construção foi menor do que o estimado.

Aliado a tudo isso, segue a tensão "pré-Copom". Nesta quarta-feira, o colegiado do Banco Central se reúne para decidir sobre juros. No mercado, a parcela majoritária aposta em alta de 0,50 ponto percentual, no entanto, não está descartado ajuste de até 0,75 ponto. Para a corretora AGK, a nova elevação da Selic deve manter tendência de queda para o dólar.

O fluxo comercial também deve dar sua contribuição de queda à moeda. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, a balança comercial encerrou o mês de maio com saldo de US$ 4,077 bilhões, melhor resultado em 2008. O acumulado do ano está em US$ 8,655 bilhões.

O BC voltou a interferir no mercado de câmbio e comprou dólares a uma taxa média de R$ 1,6330.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews