Copom, notícias externas e realização derrubam índice

SÃO PAULO, 2 de junho de 2008 - O mau humor instalado no mercado acionário por conta da repercussão negativa do noticiário externo, aliado a realização de lucros no mercado doméstico e a expectativa dos analistas quanto a mais um possível aperto da taxa de juro básico (Selic) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para quarta-feira, ajudaram puxar para baixo a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Nesta segunda-feira, o Ibovespa terminou a sessão em baixa de 0,96%, aos 71.897 pontos. O giro financeiro ultrapassou R$ 5,3 bilhões.

Logo cedo, o banco Bradford & Bingley (B&B) - décimo maior agente do Reino Unido - anunciou uma reestruturação por conta de dificuldades enfrentadas nos primeiros meses deste ano. O comunicado provocou uma aversão do setor bancário nas principais praças acionárias da Europa, que fecharam em baixa, e se espalhou pelo mundo.

Dando força ao movimento de baixa, a Standard & Poor´s (S&P) reduziu em um nível a nota dos bancos de investimento Lehman Brothers, Merrill Lynch e Morgan Stanley, e revisou para "negativa" a perspectiva da nota do Bank of America e do JP Morgan Chase. "Os cenários sobre o setor de grandes instituições financeiras nos Estados Unidos agora está predominantemente negativo", informou a S&P em um comunicado.

No Brasil, os papéis do segmento também perderam: Itaú PN (ITAU4) caiu 4,34%, a R$ 38,60 e Bradesco PN (BBDC4) perdeu 2,54%, a R$ 38,30.

Outras notícias sobre a economia norte-americana ajudaram a derrubar os negócios em Wall Street e a esfriar os ânimos mundo afora. Por lá, o governo dos EUA anunciou que os gastos com construção recuaram 0,4% em abril. Já a atividade industrial saltou de 48,6 pontos para 49,6 pontos, entretanto, ainda se situa abaixo dos 50 pontos, indicando retração no nível de produção. Enquanto o otimismo dos investidores norte-americanos caiu em maio ao nível mais baixo desde o começo da guerra do Iraque - há cinco anos.

Internamente, além da cautela do mercado quanto ao rumo do juro básico, os investidores também repercutiram as informações do Boletim Focus e a notícia de que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) estaria interessada em comprar a Empresa Metropolitaba de Águas e Energia (Emae) movimentaram as ações das empresas. No fim do pregão, os papéis da Emae (EMAE4) subiram 11,54%, a R$ 14,50, já ações da Sabesp (SBSP3) caíram Preço 6,42%, a R$ 43.

Entre as maiores altas aparecem Eletrobras que subiu 4,10%, a R$ 30,70; Petrobras ON avançou 1,81%, a R$ 58,44; Cemig ganhou 1,66%, a R$ 38,66; Petrobras PN aumentou 1,61%, a R$ 49,79; e Copel PNB valorizou 1,54%, a R$ 30,24.

Do outro lado, além de Sabep, a All America Latina caiu 5,49%, a R$ 22,90; Cyrela Realty recuou 5,42%, a R$ 25,80; Light perdeu 5,40%, a R$ 23,80; e TAM desvalorizou 5,11%, a 33,45.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)