Cena externa volta a preocupar e taxas sobem na BM&F

SÃO PAULO, 2 de junho de 2008 - Durante o dia, as projeções de juros dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) acompanharam o clima tenso no cenário externo e subiram. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) o contrato de DI de julho deste ano, que projeta a taxa Selic para este mês, foi o mais negociado, com 383,7 mil contratos negociados e taxa anual de 12,06%, ante 12,04% do ajuste anterior.

No front externo, a preocupação com a inflação e a notícia de que o banco inglês Bradford & Bingley (B&B) pode captar menos recursos que o planejado com a venda de ações deixou os agentes financeiros cautelosos e com isso o investidor se retraiu diminuindo o volume de negócios na BM&F, o que também reflete em alta dos juros futuros de médio e longo prazo.

Pela manhã foi informado que os gastos com construção nos Estados Unidos recuaram 0,4% em abril. Outro indicador divulgado foi o índice que mede a atividade manufatureira norte-americana (ISM Index, em inglês) que superou as expectativas do mercado no mês de maio, ao registrar 49,6 pontos, enquanto a Concórdia Corretora projetava 48,3 pontos.

Internamente, as atenções estão voltadas para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que definirá na quarta-feira o rumo da taxa Selic, fixada em 11,75% ao ano. As apostas no mercado seguem divididas entre aumento de 0,50 e 0,75 ponto percentual.

Em relatório, a Gradual corretora ressalta que são muitas as dúvidas que cercam o índice mais importante da semana: "a meta da taxa Selic". De um lado o aquecimento dos preços internos que, se num primeiro momento estavam restritos ao grupo alimentação, agora já aponta para uma generalização mais difusa em outros setores. Exemplo disso foi a recente rodada de reajuste de preços de alguns minérios que devem refletir na indústria automotiva.

Os índices de inflação não dão trégua à equipe econômica e já preocupam seriamente o Palácio do Planalto que na semana passada resolveu entrar em campo e "ajudar" o Banco Central (BC) na luta contra o ímpeto inflacionário que assola o mundo e o Brasil em particular. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu sinal verde para o aumento do superávit primário disfarçado em poupança fiscal extravia Fundo Soberano de Riqueza; agora sem dólares e mais sóbrio. A idéia é patrocinar uma política anticíclica mais austera de tal sorte que o ajuste para cima do BC nos juros seja menos onerosa e mais eficiente possível.

Do lado do BC não há muitas dúvidas. Eles vão operar na meta da Selic e já vêem avisando o mercado há algum tempo. A dúvida é se vai permanecer o plano inicial de uma alta forte, porém curta, na taxa básica de juros.

Pela manhã foi divulgado o boletim Focus apontando alta nos principais índices de inflação com destaque para a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que deve atingir 5,48% neste ano, acima da expectativa da semana passada, que era de 5,24%.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)