Superávit depende cada vez mais das commodities

SÃO PAULO, 20 de maio de 2008 - As importações seguem em ritmo acelerado e já cresceram duas vezes mais do que as exportações em 2008. Fatores macroeconômicos como a valorização do real - que reduz a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo e barateiam os que vêm do exterior -, a expansão da demanda interna e a falta de capacidade instalada explicam esta tendência.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a média por dia útil, até a terceira semana de maio, dos produtos vendidos no mercado internacional cresceu 18,3% em comparação com 2007, de US$ 579,1 milhões para US$ 685 milhões, enquanto a média das compras avançou 47,5%, saltando de US$ 414,8 milhões para US$ 611,9 milhões.

O analista da Hencorp Corretora, Marcos Forgione, explica que o resultado comercial depende das commodities porque o Brasil é um dos grandes exportadores globais deste tipo de produto. Segundo ele, apesar da crise internacional, a quantidade de bens vendidos lá fora continua a mesma e o aumento no preço compensou as perdas com a variação cambial. Em 2008, o dólar já recua 7,15% sobre o real.

Forgione explica ainda que a elevação no preço das commodities decorre da inflação mundial, maior custos dos alimentos e, em particular, do aumento da demanda chinesa. No entanto, não são somente esses fatores que têm influenciado no preço. As operações financeiras também têm dado sua contribuição. "Tem muito especulador que se aproveitou da alta para travar operações no mercado futuro o que mexe diretamente no preço", comenta.

De acordo com Fernando Ribeiro, da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), o câmbio tornou ainda mais difícil a vida dos exportadores de bens manufaturados. Em termos de competitividade, o Brasil vem perdendo espaço para os asiáticos, que trabalham com custo de mão-de-obra barata. Entre janeiro e abril 2008, as exportações de manufaturados cresceram 11,3% em relação a igual período de 2007 enquanto que a venda de produtos básicos subiram 14,6%.

Por isso, cada vez mais, o desempenho da balança comercial brasileira está dependente do preço das commodities.

Em 2007, o volume de mercadorias básicas exportadas subiu 12%, o dobro do ano anterior, ao mesmo tempo em que os preços subiram 14,5%, contra 9,4% de 2006. "Apesar da queda do dólar, a boa rentabilidade, garantida pelas cotações elevadas e a obrigatoriedade de exportar estes bens, porque não é absorvido pelo mercado interno, fazem com que os agricultores plantem mais e as mineradoras investem", comenta um especialista. Porém, cabe lembrar que essa concentração em commodities deixa o Brasil mais suscetível às variações dos preços internacionais, e nesta época de crise nos EUA, com risco de contaminação global, o cenário pode mudar rapidamente.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)

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