Dólar retoma queda e perde 1,84% na semana

SÃO PAULO, 15 de maio de 2008 - O dólar retomou a trajetória de queda apoiado no desempenho positivo das principais bolsas de valores. No fim do dia, a divisa estrangeira cedeu 0,54%, para R$ 1,653 na compra e R$ 1,655 na venda. Na semana, o dólar acumula valorização de 1,84% e no mês, de 2,01%. Aqui, a Bovespa subia 1,45%, seguindo os ganhos de Wall Street.

Novos rumores de que a agência de rating Fitch poderia anunciar a qualquer momento o grau de investimento ao Brasil pesou sobre o movimento otimista. No último dia 30 a Standard & Poor's elevou o País a Investment Grade.

Para o analista da Hencorp Corretora, Marcos Forgione, a possível nota da Fitch é factível e reforçará, ainda mais, a tendência de queda do dólar. "Tem muito fundo no exterior esperando uma segunda nota para entrar mais forte aqui", destaca. Segundo Forgione, os ingressos de capital estrangeiro, já engrossados pelo grau de investimento, devem ser reforçados depois que os Estados Unidos reduzirem novamente sua taxa básica de juros. "Os EUA devem baixar o juro e isso aumentará ainda mais a arbitragem que já é alta", comenta.

No entanto, o especialista pondera que a história do fundo soberano, criado nesta semana e com previsão para começar a operar em junho, precisa ser esclarecido. "Fala-se em capitação com excedente do superávit primário e das compras do BC, mas não se tem idéia do que vai representar", finaliza. Forgione lembra o bom momento em que o País atravessa, de ser pela primeira vez credor externo líquido e detentor do selo 'grau de investimento'.

De acordo com o profissional da Hencorp, contribuiu com o clima positivo a visão de que boa parte da crise de crédito, originada nos empréstimos subprime, já foi absorvida e que está se consolidando um ambiente de recuperação bancária internacional.

Ainda assim, os agentes se mantiveram cautelosos diante da possibilidade de uma atuação mais firme do governo no mercado de câmbio, com o objetivo de compor o fundo soberano nacional. Pela manhã, a autoridade monetária adquiriu divisas a uma taxa de corte de R$ 1,6602.

Nos EUA, os índices acionários conseguiram acelerar os ganhos, com a retomada das compras, estimuladas pelo recuo no preço do petróleo, apesar de uma série de notícias negativas. O Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) reportou queda de 0,7% na produção industrial de abril, número pior do que o esperado. Além disso, houve aumento na quantidade de pedidos por seguro-desemprego e menor atividade nas regiões de Nova York e Filadélfia.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)

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