Mantega: 'tirando o feijãozinho', inflação seria de 4,4%

Agência Brasil

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira que a inflação poderia ser de 2,5% a 3% se não houvessem fatores como a pressão do preço de produtos como feijão, leite e derivados. Mantega fez os cálculos levando em consideração a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2008, que é de 4,7%.

- Tirando o feijão, o feijãozinho que todo mundo come, nós teríamos uma inflação de 4,4%. Se tirássemos leite e derivados, diminuiria mais 0,3 (ponto percentual) - disse.

Segundo o ministro, a inflação está "controlada e perfeitamente bem comportada". De acordo com Mantega, os demais países emergentes têm inflação bem acima dos índices registrados no Brasil. Ele lembrou que a elevação no preço dos produtos é um fenômeno que está ocorrendo em todos os cantos do mundo atualmente.

O ministro reuniu-se com parlamentares dos partidos para tratar da reforma tributária. Ele voltou a criticar quem deixou de acreditar que o Brasil poderia crescer sustentavelmente acima de 3,5%.

- Nós estamos provando o contrário. Superávit de um crescimento robusto, embora hoje estejamos observando um aumento das taxas de inflação. De fato, a inflação está subindo. Subiu a previsão do IPCA para 2008, de 4,7% - disse.

A informação foi obtida do áudio da TV Brasil, já que a reunião da qual Mantega participava era fechada para a imprensa, com abertura somente para imagens. Consultada, a assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda não viu nenhum inconveniente na divulgação.

Ao deixar o encontro, o deputado Ciro Gomes (PPS-CE) confirmou as afirmações de Mantega e disse que a pressão dos alimentos na inflação é ditada por fatores externos ao país, como a demanda por alguns grandes países que estão "incorporando às pessoas ao direito de comer", como a China e a Índia, e por algum choque de oferta em alguns lugares.