Taxas alinham-se à decisão do Copom

SÃO PAULO, 17 de abril de 2008 - O mercado de renda fixa teve uma manhã de ajustes nas projeções, embutidas nos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI), à nova taxa básica de juros da economia. O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu na véspera elevar a Selic de 11,25% para 11,75% ao ano. Ontem, os operadores chegaram a se surpreender com o aumento nas apostas de última hora apontando para um ajuste de 0,50 ponto percentual. O Copom, porém, atendeu a essas apostas e surpreendeu a maioria dos analistas que estimavam aumento de 0,25 ponto dos juros.

Os economistas da Gradual corretora não se surpreenderam com o resultado da reunião do Copom, pois já estimavam este aumento. Como a decisão do Copom veio acima do esperado por boa parte dos analistas as projeções de juros no mercado futuro apontam elevações nos vencimentos até janeiro de 2009. Já os contratos com vencimento mais longo, com data de maturação até janeiro de 2011, estão apontando queda. Isto aponta que o mercado acredita que o Banco Central (BC) está apertando agora para depois fazer a taxa Selic cair. Porém as pressões inflacionárias persistem e é cedo para falar em queda futura na meta da Selic.

Enquanto os analistas consideraram a decisão do Comitê coerente com o teor dos documentos publicados pela autoridade monetária (ata do Copom e relatório trimestral de inflação), a indústria e o comércio repudiaram o avanço do juro, principalmente, porque a pretensão do BC de esfriar a demanda não deve gerar os efeitos desejados no curto prazo e ainda pode acabar desestimulando, em médio prazo, os investimentos que poderiam garantir a expansão da oferta.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)