Na esteira da Selic, dólar crava 4ª queda seguida

SÃO PAULO, 17 de abril de 2008 - O dólar emendou a quarta queda consecutiva na esteira da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic de forma agressiva. A taxa subiu meio ponto percentual, ao invés de 0,25 ponto como projetava os analistas, para 11,75% ao ano.

A alta dos juros no Brasil, combinada às recentes reduções nos EUA, é um dos principais fatores para o enfraquecimento da divisa estrangeira por aqui. Isto porque, a taxa relativamente alta atrai investidores, e o excesso de moeda derruba os preços. Em treze sessões, o dólar subiu em apenas em uma, acumulando desvalorização de 5,42%. Hoje, o dólar cedeu 0,36%, a R$ 1,658, mantendo-se no menor nível em quase nove anos.

Para Paulo Fujisaki, analista da Socopa Corretora, a decisão foi acertada. "O aumento tornou ainda mais evidente a trajetória de queda do dólar face ao real, por distanciar o diferencial entre as taxas praticadas aqui e no exterior e elevar a margem com arbitragem", diz. Para ele, o recuo no superávit comercial, devido à apreciação da moeda brasileira, deve ser compensado pelo fluxo financeiro.

Diante deste cenário, o dólar só não caiu mais por conta das recentes quedas. "Como o aumento de meio ponto estava precificado pelo DI futuro e o dólar já caiu bastante nos últimos dias, o espaço para desvalorizações adicionais ficou restrito", disse um operador, ressaltando que a tendência da moeda continua para baixo, ancorada na expectativa de obtenção do "Investment Grade" pelo País.

Segundo o economista-chefe da Concórdia Corretora de Valores, Elson Teles o ajuste moderado no juro deverá balancear os riscos de inflação futura, reforçar a ancoragem das expectativas e, ao mesmo tempo, reduzir o expressivo descompasso entre o ritmo de crescimento da demanda e da oferta agregadas.

Fujisaki avalia que além dos juros, os movimentos no câmbio seguem atrelados ao quadro internacional. Nos EUA, resultados corporativos e indicadores econômicos trouxeram instabilidade ao mercado financeiro. O banco de investimento Merril Lynch reportou prejuízo de US$ 1,96 bilhão no primeiro trimestre e a farmacêutica Pfizer anunciou queda de 18% no lucro. Além disso, o índice do Federal Reserve (Fed, BC norte-americano) que mede a atividade na região da Filadélfia recuou mais do que o esperado (-24,9 pontos) e os pedidos semanais por seguro-desemprego subiram em 17 mil. Entre os índices, Nasdaq perdia 0,34%. Já a corrida pelos Tresasuries, títulos do Tesouro americano considerados de risco zero era menos intensa, chancelaram a menor aversão ao risco. A taxa brasileira se estabilizava aos 228 pontos.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)