Indústrias do Amazonas projetavam alta da Selic

SÃO PAULO, 17 de abril de 2008 - A elevação da taxa básica de juros (Selic) não foi uma surpresa para o setor industrial de Manaus. De acordo o diretor-executivo do Centro da Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Ronaldo Mota, o aumento de 0,50 ponto percentual anunciado ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) era esperado, sobretudo, por causa de fatores externos, como a crise econômica dos Estados Unidos.

Apesar da preocupação por parte da classe empresarial - que defendia a redução Selic como forma de baratear os empréstimos bancários para investimentos no setor produtivo -, Mota acredita que, pelo menos inicialmente, a novidade não deve trazer impactos negativos para o Pólo Industrial de Manaus, onde estão instaladas cerca de 500 indústrias.

"Nesse primeiro momento, isso não deve impactar nas indústrias, porque o consumo está alto para todos os setores. Diante da atual estabilidade econômica do país, é natural que haja o medo de que a inflação volte a galopar como em alguns anos atrás", declara.

Para o economista e professor da Universidades Federal do Amazonas (Ufam) Rodemarck Castelo Branco, o aumento da taxa básica de juros pode diminuir o consumo de alguns produtos fabricados no Pólo Industrial de Manaus (PIM), como bicicletas, motos e televisores.

Em entrevista, Branco ressaltou que o crescimento da inflação no país nas últimas semanas é reflexo de uma situação internacional que está ocorrendo em vários países. Por isso, na sua opinião, esse não seria o momento ideal para aumentar a taxa de juros. Entre essa situação, destaca, está a crise econômica dos Estados Unidos e o aumento do preço dos alimentos no mundo.

"Eu estou entre os que acreditam que o aumento da inflação no país é reflexo de uma crise internacional que também é responsável, por exemplo, pelo aumento do valor de produtos agrícolas com cotação internacional. Em nível local, o aumento da taxa de juros irá afetar os financiamentos para compra de bens de consumos duráveis, entre os quais alguns fabricados na Zona Franca de Manaus", analisa Branco.

Ainda segundo o economista e professor da Ufam, a situação ideal para a economia amazônica seria que houvesse mais uma reunião do Copom, para ver como se comporta a inflação, mantendo as taxa Selic no nível atual. "Até então, Amazonas e Pará, por exemplo, estavam aumentando as exportações e a elevação da taxa de juros poderá causar a diminuição nesses índices também, já que, apesar da situação também poder nos levar a uma valorização da moeda nacional, o exportador vai sair perdendo porque vai receber menos pelo que está vendendo", acrescentou.

As informações são da Agência Brasil.

(Redação - InvestNews)