Para Ibef, aumento da Selic é precipitado

SÃO PAULO, 16 de abril de 2008 - O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef SP) classificou como ´precipitada´ a decisão do Banco Central em elevar a taxa Selic em 0,50 pp na reunião do Comitê de Política Monetáris (Copom) encerrada hoje. O instituto, que reúne os diretores de finanças de empresas nacionais e multinacionais, avalia que o setor produtivo teria condições de enfrentar o aumento da demanda, caso a taxa tivesse sido mantida em 11,25% ao ano.

O presidente do Conselho de Administração do Ibef SP, Walter Machado de Barros, pondera que o IPCA tem sido pressionado pelos alimentos e bebidas e pelas tarifas de energia e água e esgoto. "São pressões pontuais, que não indicam um processo de aumento inflacionário. Por uma questão de bom senso e serenidade, o BC não deveria ter aumentado a Selic neste mês".

Segundo Machado, o caminho inverso, da manutenção dos juros, seria mais eficiente para manter a economia equilibrada. "O melhor teria sido uma sinalização de apoio aos investimentos, estimulando o crescimento da cadeia produtiva como ´antídoto´ para o aumento de demanda".

O presidente lembra ainda que o próprio relatório de inflação, emitido pelo Banco Central em 2007, já demonstrava que havia expansão de investimentos suficiente para fazer frente às atuais pressões inflacionárias. "O setor produtivo estava voltando a se expandir, aumentando a capacidade instalada e ajudando a consolidar um cenário de segurança para as metas de inflação".

O Ibef SP julga que, a partir da nova postura de política monetária, dificilmente a expansão de investimentos no setor produtivo se manterá no mesmo ritmo. "Viveremos um momento, desnecessário, de desaceleração".

(Redação - InvestNews)