Decisão da Selic será uma das mais difíceis

SÃO PAULO, 16 de abril de 2008 - A decisão sobre a nova taxa Selic, que será divulgada logo mais à noite, será uma das mais difíceis para o Banco Central (BC). Segundo Marcelo Moura, professor do IBMEC, o contexto externo desfavorável, com uma recessão iminente dos Estados Unidos, a inflação acima das metas estabelecidas, uma economia aquecida e, na outra ponta, vários setores da sociedade fazendo pressão para que os juros se mantenham nos atuais 11,25%, sinalizam o grau de dificuldade que a autoridade monetária tem pela frente.

"A economia vive ritmo de cinco ótimos anos de crescimento mundial. É muito difícil saber o quanto a desaceleração na economia norte-americana vai contagiar as outras economias e o Brasil", diz Moura.

Além disso, os últimos dados de inflação demonstram que a meta prevista de 4,5% já foi ultrapassada e é hora de agir. "O BC tem que mirar no centro e não na trave", enfatiza o professor do IBMEC.

Outro ponto importante levantado por Moura são as pressões sofridas pelo BC de setores da sociedade para que a taxa seja mantida. "O que entra em jogo nesta reunião do Copom é a credibilidade do BC. Se deixar de subir os juros, pode ser interpretado pelo mercado como submisso às pressões de algumas alas e ao próprio Ministério da Fazenda", explica Moura.

Para ele, perder a credibilidade é algo bastante grave neste momento. "São anos de autonomia que podem ser jogados fora. Um Banco Central só mostra autonomia quando é colocado à prova em decisões custosas como essa", diz.

Independentemente das pressões sofridas pelo BC, Moura acredita que todas as decisões sobre o futuro das taxas de juros são difíceis quando o crescimento de um país é pautado pela política monetária. "Não se faz crescimento econômico com política monetária e sim com planejamento, reformas tributária e previdenciária, desburocratização e redução do tamanho da ineficiência do estado".

(Priscila Dadona - InvestNews)