Copom anuncia esta noite rumo da Selic

SÃO PAULO, 16 de abril de 2008 - O Comitê de Política Monetária (Copom) decide hoje o rumo da política de juros do País. A expectativa do mercado é de que o colegiado aumente a taxa de juro básico (Selic), entretanto, as opiniões divergem com relação a dimensão desse ajuste. Uma parcela aposta em alta de 11,25% para 11,5% ao ano. Do outro lado, há quem acredite em elevação para 11,75%. Para o diretor do Modal Asset Management, Alexandre Póvoa, o Banco Central (BC) vai iniciar um ciclo de aperto monetário neste encontro, elevando Selic em 0,25 ponto percentual. "Porém, não consideramos desprezível a probabilidade de que o início do aperto monetário seja no degrau de 0,5 ponto. Por conseqüência, a hipótese da não-unanimidade deve ser também considerada, tal como a ocorrência de alguma mensagem mais dura e indicativa no comunicado pós-reunião", disse em nota.

Segundo Póvoa, a possibiliade de manutenção da Selic em 11,25% ao ano ou um aumento de 0,75 ponto percentual é considerada "virtualmente nula". "Depois de divulgar duas atas com discurso muito duro, relativas às reuniões do Copom, ocorridas em janeiro e março, o BC praticamente instituiu um ´viés implícito´ de alta para os juros. No final do mês passado, o BC ´sacramentou´ no Relatório Trimestral de Inflação a sua opção por elevar a Selic. O grande temor da autoridade monetária sempre esteve calçado em uma potencial deterioração das expectativas inflacionárias, a partir da percepção de um desequilibrio permanente entre oferta e demanda. O começo do ciclo de alta pode ocorrer em abril basicamente pela persistência desta situação, o que ameaça o bom comportamento das estimativas futuras e a inflação", avalia.

A possibilidade de ajuste da Selic ganhou mais força diante da apuração da inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em março (0,48%), bem acima da expectativa das instituições financeiras. A taxa gerou uma correção nas projeções da inflação ao final deste ano de 4,5% para 4,66%, colocando-a acima da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Nos últimos 12 meses (terminados em março) o IPCA acumula alta de 4,73%, refletindo a pressão dos preços de alimentos.

A decisão do Copom será anuncia à noite, após o fechamentos dos mercados.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)