Apetite por risco derruba dólar

SÃO PAULO, 16 de abril de 2008 - Dados econômicos e balanços corporativos nos EUA impulsionam as bolsas norte-americanas nesta manhã, com reflexos no câmbio. No fim da manhã, a divisa estrangeira cedia 0,65%, vendida a R$ 1,673. A queda do dólar pelo mundo, após dados de inflação na zona do euro, também contribuía com a baixa por aqui.

Sob análise estiveram o avanço em linha com as expectativas de 0,2% em março do núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI) e a alta surpreendente de 0,3% em março da produção industrial, enquanto que o mercado esperava por queda de 0,1%. "O CPI abriu espaço para que o Fed promova novos cortes, aumentando o apetite por ativos de risco", comentou um operador.

Notícias corporativas melhor do que o esperado de dois integrantes do problemático setor bancário nos EUA ajudava a manter as bolsas em alta. O banco de investimento JP Morgan e o banco Wells Fargo anunciaram lucro por ação acima do previsto. Mas a alta era limitada por uma notícia do Wall Street Journal, segundo o qual o Merrill Lynch vai anunciar uma nova baixa contábil de US$ 6 bilhões a US$ 8 bilhões quando divulgar seus resultados trimestrais amanhã. Dados fracos do setor imobiliário também pouco influenciaram em Wall Street. Entre os índices, Dow Jones subia 1,32%, Nasdaq 2,20% e S&P 1,35%.

Em relatório, a AGK corretora destaca que mesmo o mercado esboçando um viés mais otimista quando os indicadores e demais eventos momentâneos permitem, as incertezas com relação ao futuro da economia norte-americana e mundial ainda são muitas. "Os investidores permanecem cautelosos e reagindo aos dados pontuais", frisa.

No âmbito doméstico, a iminente alta do juro pelo Comitê de Política Monetária (Copom), em meio às pressões inflacionárias e a demanda aquecida, também conspirava a favor da queda do dólar, por atrair operações com arbitragem. Após o expediente, o Copom anuncia sua decisão. O mercado se divide entre uma dose de 0,25 e 0,50 ponto percentual.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)