Dólar recua com melhora do ambiente global

SÃO PAULO, 15 de abril de 2008 - O dólar manteve-se em trajetória de queda, deixando de lado a disparada nos preços do petróleo, para acima de US$ 113 o barril em Nova York. No fim da sessão, a divisa norte-americana cedeu 0,24%, vendida a R$ 1,684.

O economista do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, avalia que o ambiente um pouco mais tranqüilo nas praças internacionais e a expectativa de ajuste na Selic ajudaram a manter o cenário de apreciação do real. "Estão todos na expectativa de aumento no juro. E essa tendência de valorização segue consistente, incentivada pelo expressivo diferencial entre as taxas praticadas aqui e no exterior", comentou Campos Neto. Mas o profissional nota que ainda há uma certa resistência dos bancos que detêm posições compradas, no sentido de inibir uma queda mais acentuada do dólar.

Uma série de notícias trouxe ânimo aos negócios e a mais importante delas foi o índice de atividade industrial em Nova York (Empire State Index), que se estabilizou em abril depois de despencar nos últimos dois meses. A compra de ativos norte-americanos por estrangeiros (que subiu de US$ 35,7 bilhões em janeiro para US$ 64,1 bilhões em fevereiro) e a menor pressão inflacionária também minimizaram os temores sobre os efeitos da crise nos mercados imobiliários e de crédito nos EUA. Entre os índices, Dow Jones subia 0,24% e Nasdaq 0,21%.

O núcleo do Índice de Preços ao Produtor (PPI), menos volátil por excluir os itens de alimentação de energia, desacelerou de 0,50% para 0,2% em março, em linha com as expectativas, após dois meses de fortes aumentos. No ambiente corporativo, a fabricante de produtos de saúde Johnson & Johnson divulgou lucro US$ 1,26 por ação no primeiro trimestre, acima do US$ 1,20 esperado e elevou sua previsão de ganhos para 2008.

Porém, a cautela antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os juros e a agenda recheada de amanhã fez com que os investidores adiassem a tomada de posições. "De hoje à noite para amanhã pela manhã teremos uma série de resultados corporativos, o que manteve o mercado na defensiva", diz o profissional da Schahin. Nos EUA serão apresentados os números do setor imobiliário, produção industrial, inflação no varejo e o Livro Bege do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano.

Aqui, Campos Neto espera que o Copom eleve a Selic em 0,25 ponto percentual, para 11,50% ao ano, no entanto, não descarta a possibilidade de aperto de até 0,50 ponto.

Como de costume, o BC comprou dólares no mercado à vista.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)