Dívidas corporativas são administráveis na AL

SÃO PAULO, 3 de abril de 2008 - A Moody's Investors Service afirmou que emissores corporativos não-financeiros da América Latina têm necessidades de refinanciamento de suas dívidas que parecem ser administráveis em 2008 e 2009, segundo um estudo dos emissores corporativos classificados da região realizado pela agência.

De acordo com o estudo, uma grande concentração de vencimentos no segundo semestre do ano testará o apetite do investidor pelo crédito latino-americano e a facilidade de acesso a fontes alternativas de financiamento, seja bancário ou emissão no mercado local.

'Embora a quantidade de dívida que está vencendo no primeiro semestre de 2008 seja baixa, o primeiro grande teste de refinanciamento virá no segundo semestre deste ano, quando os vencimentos praticamente triplicarão', afirmou, em nota, o diretor regional de crédito corporativo da Moody's para a América Latina, Alexander Carpenter.

Os US$ 21 bilhões de dívida corporativa vencendo até 2009 na América Latina normalmente não provocariam preocupações a respeito da habilidade das empresas em obter refinanciamento, destacou Carpenter, 'porém, as condições do mercado têm estado longe da normalidade nos últimos meses'.

O levantamento da Moody's incluiu uma análise de risco de refinanciamento e de 'covenants' (cláusulas restritivas). 'Não esperamos um aumento significativo no risco de violações destas cláusulas, pois a maior parte dos resultados das empresas latino-americanas ficaram em linha, ou acima, das expectativas', disse Carpenter.

No geral, a variação nos ratings na América Latina foi positiva no primeiro trimestre de 2008, com sete elevações de rating e três rebaixamentos.

Quanto aos setores, a Moody's estima que o setor de petróleo e gás representa aproximadamente US$9 bilhões, 42% do total de vencimentos de dívida de 2008-2009 na região, enquanto outros setores com risco de refinanciamento têm baixa volatilidade de fluxo de caixa, como telecomunicações e setor elétrico, ou se beneficiam do atual nível alto dos preços de commodities, como energia, metais e mineração.

(Redação - InvestNews)