Discurso de Bernanke é destaque da manhã

SÃO PAULO, 2 de abril de 2008 - Com a agenda interna vazia, os investidores centraram as atenções no discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, Ben Bernanke. No discurso, o presidente admitiu pela primeira vez que há risco de a economia dos Estados Unidos entrar em recessão no primeiro semestre deste ano, mas com recuperação no segundo semestre. Para ele, as ações do Fed feitas até hoje devem promover recuperação da atividade econômica e a inflação deve moderar nos próximos trimestres.

Segundo profissionais, as incertezas em relação à economia norte-americana devem continuar pautando os negócios dos principais ativos globais. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecharam em queda. O DI de janeiro de 2010, o mais negociado, registrava taxa de 13,15%, ante 13,22% do ajuste anterior. O recuo nas projeções, principalmente, no longo prazo está relacionado à melhora de humor na cena externa.

Por aqui, os agentes financeiros começam a se preparar para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para 15 e 16 de abril. As apostas no mercado financeiro para o rumo da taxa Selic, atualmente, 11,25% ao ano, estão divididas entre manutenção, elevação de 0,25 ponto percentual ou 0,50 ponto. Nos últimos dias, começaram a ganhar mais espaço as projeções de elevação de 0,50 ponto.

No entanto, hoje a possibilidade de um avanço de 0,50 ponto na Selic diminuiu, decorrente dos comentários nas mesas de operações de renda fixa, de que o governo federal deverá aproveitar o aumento da receita verificado no começo deste ano e aumentar "informalmente" o superávit primário (economia feita para o pagamento de juros da dívida de um governo).

O economista-chefe da consultoria UpTrend, Jason Vieira, explica que caso o governo realmente eleve o superávit primário informalmente a medida pode conter o aumento da taxa Selic, pois, esta atitude significa que o governo vai reduzir o volume de captações, ou seja, não há necessidade de atrair o mercado com taxas de juros elevadas para financiamentos.

Vieira não enxerga um cenário de inflação ruim para os próximos meses, principalmente, com as importações crescendo mais do que as exportações brasileiras. Para ele, a maturação dos investimentos deve favorecer a estabilidade da utilização da capacidade instalada, afastando riscos de constrangimento à expansão da produção. Para a reunião do Copom deste mês, o economista estima manutenção na taxa básica de juro da economia brasileira.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)