Otimismo externo marca início do 2º trimestre

SÃO PAULO, 1 de abril de 2008 - O otimismo marcou o início do segundo trimestre com o mercado financeiro mundial reagindo bem às notícias corporativas e aos indicadores econômicos. Seguindo a forte valorização das bolsas, o dólar encontrou espaço para recuar a mínima de R$ 1,743, mas fechou com baixa de 0,46%, vendido a R$ 1,745.

Novas captações trouxeram alívio às recentes turbulências financeiras. O Lehman Brothers e o UBS levantaram capitais. O banco norte-americano captou US$ 4 bilhões em recursos, acima dos US$ 3 bilhões esperados com a emissão de bônus conversíveis. Já o banco de investimento suíço levantou US$ 15 bilhões. Este último também revelou perda contábil de US$ 19 bilhões, ainda reflexos dos instrumentos financeiros relacionados às hipotecas subprime.

Além das captações, os investidores também reagiram ao índice de atividade industrial dos EUA, que ficou acima do esperado, ao subir de 48,3 pontos para 48,6 em março, enquanto que as previsões eram de 47,5. Os gastos com construção também vieram melhores que o previsto no período.

O economista da Geração Futuro, Gustav Gorski avalia que nos últimos dias, o dólar vem se deslocando dos fundamentos e da questão norte-americana e está oscilando ao sabor do fluxo e dos preços das commodities. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova York (Comex), os contratos futuros de ouro caíram mais de 3%. "O petróleo, por exemplo, voltou a cair próximo de US$ 100 o barril e isso pode ter influenciado no preço da moeda", disse, lembrando da valorização global do dólar frente a seus principais pares e os ajustes de posições. "Além disso, a surpresa positiva com os indicadores trouxe de volta as operações de carry-trade", comentou um profissional.

Gorski acredita que no curto prazo, o câmbio sofrerá menos flutuações, devido ao forte crescimento da economia doméstica e o aumento do volume das importações. No longo prazo, o especialista avalia que as projeções do Banco Central (BC), de déficit de US$ 12 bilhões em 2008 nas transações correntes, pode vir a pesar sobre o mercado.

O Ministério do Desenvolvimento informou que o saldo comercial caiu 69,4% em março, na comparação anual, para US$ 1,012 bilhão, com as exportações recuando 2,1% e as importações saltando 21%.

Mantendo a rotina, o BC comprou dólares no mercado à vista, fixando taxa de corte de 1,7490.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)