Livre-comércio com os EUA aumenta risco para alguns países, diz Amorim

Agência EFE

RIO - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou hoje que os países que assinaram acordos de livre-comércio com os Estados Unidos são mais vulneráveis à crise da americana, ao contrário do Brasil, que optou por diversificar seus mercados. Amorim respondeu assim aos que criticaram o 'pouco interesse' do Brasil em negociar com os Estados Unidos o Acordo de Livre-Comércio das Américas (Alca).

- Há um trabalho do Centre for Economic and Policy Research (Centro de Estudos Econômicos e Políticos) que diz que a crise americana provocará impactos em todos os países da América - disse Amorim durante um evento oficial. - Mas os impactos mais agudos serão sentidos pelas economias mais integradas pelos Estados Unidos, aquelas que mantêm acordos de livre comércio com os Estados Unidos.

Amorim discursou hoje na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, um evento trimestral que reúne os principais ministros e conselheiros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o próprio presidente, acadêmicos e empresários. A diversificação de mercados foi uma diretriz da política externa de Lula, disse Amorim. O chanceler destacou que a troca comercial do Brasil com seus parceiros do Mercosul cresceu 320% durante o Governo Lula, até superar o comércio com os Estados Unidos.

A troca com a América latina e o Caribe cresceu 262% em cinco anos, o que transforma a região em um parceiro comercial com mais peso que a União Européia. Amorim também destacou que a série de medidas anunciadas na segunda-feira para aumentar o poder regulador do Federal Reserve (Fed, banco central americano) sobre o mercado financeiro desse país mostra uma clara mudança no rumo da política econômica de Washington.

- Representa uma nova tendência, uma retomada de uma visão que tinha praticamente desaparecido em uma época que os três dogmas necessários para uma política econômica eram liberalização, privatização e desregulamentação - disse.