Dólar segue humor das bolsas e cai 0,57%

SÃO PAULO, 1 de abril de 2008 - A divulgação de índices de atividade econômica dos Estados Unidos renovou o ânimo dos investidores e com isso, as bolsas de valores subiram perto de 2%. O dólar, colado à essas oscilações, recuou 0,57% no fim da manhã, vendido a R$ 1,743.

Os mercados repercutem o índice de atividade industrial norte-americana do Instituto para Gestão de Oferta (ISM, em inglês), que subiu de 48,3 pontos em fevereiro para 48,6 em março, reduzindo a perspectiva de uma recessão na maior economia do mundo. Apesar da alta, o número é considerado ruim, já que pela metodologia, uma leitura acima de 50 pontos indica expansão. "Mas os mercados reagiram bem, já que o dado não apontou um desempenho tão ruim quanto se esperava", disse um operador.

Já os gastos com construção diminuíram 0,3% em fevereiro, para uma taxa anual ajustada sazonalmente de US$ 1,122 trilhão. "Sem surpresas, o dólar deve encontrar espaço para continuar cedendo, já que as perspectivas são positivas para as entradas de recursos", comentou um profissional.

A esperança de que a baixa contábil do UBS marque um fim às revelações de perdas profundas associadas à crise de crédito ajuda a fomentar a alta das bolsas em Nova York e da Europa. O alívio vem da decisão do UBS e do Lehman Brothers de levantar capital novo. No entanto, logo cedo, o banco de investimento suíço informou perda contábil de US$ 19 bilhões no primeiro trimestre e o Deutsche Bank disse que fará um ajuste contábil de cerca de US$ 3,9 bilhões em seu balanço.

Os problemas no mercado de crédito de imóveis norte-americano, desencadeado em meados do ano passado, afetaram os resultado de bancos em todo o mundo, como Bear Stearns, Merrill Lynch, Citigroup, JP Morgan e o BNP Paribas, o maior banco francês.

Aqui, pesa sobre as cotações o resultado da balança comercial de março, com resultado 69,4% inferior à igual período de 2007. O saldo das vendas ao exterior ficou em US$ 1,012 bilhão no mês passado, com exportações de US$ 12,613 bilhões - queda de 2,1% sobre 2007 - enquanto que as importações deram um salto de 21%, atingindo US$ 11,601 bilhões.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)