Cresce especulação sobre rumo da taxa Selic

SÃO PAULO, 1 de abril de 2008 - As especulações do mercado financeiro em relação à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros, na reunião agendada para os dias 15 e 16 de abril, ganharam força durante o pregão de hoje. Investidores e analistas estão divididos em relação ao rumo da taxa Selic, atualmente 11,25% ao ano. Uma parte do mercado estima aumento de 0,25 ponto percentual, no entanto, começam a ganhar mais espaço as projeções de elevação de 0,50 ponto.

Para o gerente de renda fixa do banco Prosper, Carlos Cintra, o colegiado do Banco Central (BC) deve promover um ajuste para cima de 0,25 ponto no juro básico da economia. Para ele, os dois boletins Focus que serão divulgados antes da reunião do Copom serão importantes para definir as apostas em relação ao rumo da taxa Selic. "Caso as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) continuem sinalizando avanço é provável que a Selic suba para 11,75% ao ano", diz Cintra.

Hoje os investidores monitoraram a queda de 0,5% na produção industrial em fevereiro, ante janeiro, o veio dentro das estimativas dos analistas. O mercado também repercutiu o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), de 31 de março, que ficou acima da mediana das expectativas (0,38%) com alta de 0,45%, destaque para a elevação dos preços de alimentação, habitação e transportes, reflexo o aumento das hortaliças, frutas, pães, tarifa de eletricidade e gasolina, respectivamente.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) inverteram a posição da abertura dos negócios e fecharam em queda. O DI de janeiro de 2010, o mais negociado, registrou taxa de 13,21%, ante 13,26% do ajuste anterior. O recuo nas projeções, principalmente, no longo prazo está relacionado a melhora de humor na cena externa. O mercado reagiu bem ao anúncio da véspera do governo americano de medidas mais duras para regular o sistema financeiro.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)