América Latina busca investidores para projetos de infra-estrutura

Agência EFE

MIAMI - Doze países da América Latina, entre eles o Brasil, começaram nesta terça-feira a apresentar a investidores de Ásia, Europa e Estados Unidos seus 50 projetos mais importantes de infra-estrutura, os quais valem somados mais de US$ 66 bilhões.

Com apenas 1,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB) destinado a investimentos em infra-estrutura - a China investe 10%, por exemplo, enquanto que o Brasil está na média latino-americana -, a região se encontra à caça de recursos que permitam iniciar projetos públicos e privados para melhorar sua competitividade.

Além de Brasil, Colômbia, Costa Rica, Chile, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá e República Dominicana mostrarão seus projetos mais relevantes em dez setores estratégicos no 6º Fórum Latino-americano de Liderança entre hoje e quinta-feira em Miami.

Um dos principais projetos é o da construção do complexo hidrelétrico do Rio Madeira, na Amazônia brasileira, no valor de US$ 4,5 bilhões.

A expansão do canal do Panamá, por um montante de US$ 5,5 bilhões; o projeto petrolífero Ku-Maloob Zaap da estatal mexicana Pemex, por US$ 4 bilhões; e a reativação da mina de ouro Pueblo Viejo, na República Dominicana, por um valor de US$ 2,7 bilhões, são alguns dos outros empreendimentos que serão apresentados.

Os projetos serão exibidos por promotores, membros de Governos e empreiteiras para investidores e fornecedores de países como Alemanha, China, França, Itália, Inglaterra, Rússia e Cingapura.

- A América Latina está começando a investir um pouco mais em infra-estrutura, mas está muito mal em relação aos países asiáticos e europeus - disse à Agência Efe Norman Anderson, presidente do CG/LA Infrastructure Strategy Group, empresa que organiza o fórum.

Segundo Anderson, o Chile é o único país na região que investe forte em infra-estrutura, ao destinar entre 5% e 6% de seu PIB ao setor.

De acordo com dados do CG/LA, o México dedica 1,7% de seu PIB à infra-estrutura, enquanto que no Caribe o destaque é a República Dominicana, com 2,5%.

Para Anderson, não são feitos grandes investimentos no setor na América Central com exceção do Panamá, que destina 10% de seu PIB à infra-estrutura.

Entretanto, o país está centrado em um só projeto: a ampliação do canal, e os investimentos estarão 'em níveis menores quando as obras terminarem, em 2012', diz o presidente do CG/LA.

Segundo Anderson, a América Latina deveria 'pelo menos dobrar o nível de investimento em projetos de infra-estrutura' e é por esta razão que sua empresa identificou os melhores projetos no setor e convidou os promotores a que os apresentem, declarou.

Tal opinião é compartilhada por Luis Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

- A América Latina terá que dobrar o percentual dos investimentos nos próximos 20 anos se deseja estar nos níveis dos países asiáticos - disse Moreno, que discutirá este assunto na Assembléia Anual do BID, que ocorre entre os dias 4 e 8 deste mês em Miami.

O BID destinou à região US$ 9,6 bilhões em empréstimos no ano passado, sendo que a maior parte deste valor foi destinada ao desenvolvimento de programas de infra-estrutura, 'cujo atraso se transformou em um obstáculo para melhorar a competitividade da América Latina frente a outras regiões', diz Moreno.

Anderson ressaltou que todos os países têm agora uma 'grande preocupação de investir em infra-estrutura, mas há uma falta de planejamento estratégico na região e também nos Estados Unidos'.

"Se há investimento em uma ponte ou em uma estação de tratamento de água, é uma obra que dura muitos anos, mas os políticos só pensam em como vão tirar proveito desta obra antes de sua próxima campanha', opinou o executivo.

Anderson também disse que é preciso pensar em termos de competitividade, e, por isso, um dos painéis do fórum analisará quais projetos gerarão crescimento sustentável e oportunidades de negócios.

Os 50 projetos que serão apresentados em Miami correspondem aos setores de portos e serviços logísticos; estradas; geração elétrica; transporte urbano de massa; água e drenagem; turismo; petróleo e gás; infra-estrutura digital, entre outros.

A expectativa é que o fórum, que neste ano tem o lema "Construindo a rede global da região para a competitividade e a oportunidade', seja palco de mais de 700 reuniões entre os responsáveis pelos projetos e seus possíveis investidores.