Dólar cai no trimestre, mas sobe mais de 3% em março

SÃO PAULO, 31 de março de 2008 - Tradicional no último dia de cada mês, a disputa pela Ptax (média do dólar) concentrou atenções, mas o giro no mercado interbancário, como esperado pelos analistas, não inflou devido a cautela dos investidores. A moeda estrangeira fechou com alta de 0,46%, vendida a R$ 1,753 e o volume não ultrapassou os US$ 2,6 bilhões. Em março, a alta foi de 3,6%.

Neste mês, a cautela com a desaceleração da economia norte-americana e seus impactos sobre outros mercados fez com que os investidores reforçassem suas posições compradas em câmbio e a pressão desta fatia sobre a Ptax foi maior. Isto porque os comprados lucram com a alta do dólar e a taxa de hoje servirá de base para a liquidação, amanhã, dos contratos futuros de dólar para abril na BM&F e também para os ajustes do vencimento de US$ 2,046 bilhões em swap cambial reverso, rolados integralmente pelo BC em leilão na última quarta-feira.

O câmbio, como os demais, passou por um início de ano difícil, em meio às perspectivas de uma recessão nos EUA e o impacto de um enfraquecimento na demanda do consumo, juntamente com pressões inflacionárias e uma piora na crise de crédito, que já levaram a bilhões de dólares em baixas contábeis no setor financeiro. Ainda assim, nos três primeiros meses do ano, o dólar se desvalorizou 1,35% sobre o real.

Neste mês, desde o último dia 19, a moeda estrangeira se sustentou acima de R$ 1,70, puxada também pelas remessas de lucros e dividendos ao exterior para cobrir perdas. Essas saídas associadas ao fraco desempenho da balança comercial resultaram no déficit de US$ 2,1 bilhões nas transações correntes no mês passado.

O economista-chefe da Uptrade consultoria, Jason Vieira, avalia que em abril novos episódios de volatilidade devem marcar os negócios. "A tendência do dólar está mais altista dos que nos meses anteriores, não pelos Estados Unidos, porque as perspectivas estão mais estáveis, mas sim pelos resultados corporativos, que devem apresentar novas baixas contábeis", comentou Vieira, lembrando que em março, o dólar apresentou uma taxa média de R$ 1,74, sustentado pelo fluxo. "Mas as perspectivas de menor saldo comercial e de volatilidade podem elevar a taxa para cima", conclui.

Vieira atribui as fracas oscilações de hoje a ausência de notícias mais contundentes e as perspectivas pouco animadoras para a balança. O analista projeta saldo de US$ 710 milhões em março - volume 70% inferior ao resultado de 2007.

Em Wall Street, foi divulgado que o índice de atividade industrial dos gerentes de compra de Chicago passou de 44,5 pontos para 48,2 pontos em março, se aproximando da linha de expansão.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)