CNI mantém aposta do PIB em 5% neste ano

SÃO PAULO, 31 de março de 2008 - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) em 5% para este ano, a mesma taxa prevista em dezembro passado, mas elevou a expectativa do consumo das famílias por conta do aumento da renda do brasileiro, conforme consta no Informe Conjuntural Trimestral publicado hoje pela instituição.

Para a CNI, as famílias deverão consumir neste ano 7,5% mais do que consumiram no ano passado. Em dezembro, a instituição havia estimado que esse consumo seria 6,2% maior neste ano do que em 2007. "A revisão para cima no crescimento do consumo das famílias se deve a uma expectativa mais favorável de crescimento da renda domiciliar, seja proveniente de salários, seja proveniente de transferência de renda do governo", destaca o documento.

Na avalição da CNI, o crescimento da renda dos mais pobres se dará num ritmo mais acelerado do que entre os demais estratos e, por isso, ajudará no aumento do consumo das famílias, porque a "propensão ao consumo é bastante elevada" nesse segmento.

Em 2008, a indústria brasileira vai crescer 5%, aposta a confederação - mesma previsão feita em dezembro. Segundo a CNI, além de ter de responder ao aumento do consumo das famílias, a indústria terá de recompor estoques. "Uma em cada quatro empresas industriais iniciou 2008 com o nível de estoques abaixo do planejado", informa.

Para a entidade, a indústria não vai liderar neste ano o avanço da economia como fez em outros anos de forte crescimento. "Isso porque parte importante da produção doméstica será substituída pelo aumento das importações", avalia.

De acordo com o Informe Conjuntural, o principal entrave para o crescimento do setor é o dólar desvalorizado. "Uma das razões para o menor crescimento da indústria é que o Brasil vem perdendo competitividade por conta da valorização do real", ressalta o documento. A CNI prevê uma taxa média de câmbio em R$ 1,72 neste ano, igual à previsão feita em dezembro. No ano passado, a taxa média foi de R$ 1,95 e, em 2006, de R$ 2,18.

A formação bruta de capital fixo, que mede os investimentos em capacidade instalada, deverá crescer 14% neste ano em relação a 2007, portanto sem alteração em relação à última previsão.

O emprego formal deverá continuar a crescer neste ano, de acordo com o Informe Conjuntural da CNI. Segundo a instituição, a taxa média de desemprego deverá ficar em torno de 8,4% neste ano, 0,6 pontos percentuais abaixo dos 9% previstos no final de dezembro do ano passado. Em 2007, o desemprego fechou em 9,3% da População Economicamente Ativa (PEA).

Ainda de acordo com o Informe Conjuntural, a CNI prevê para 2008 uma inflação de 4,7% medida pelo IPCA, ou seja, acima do centro da meta do Banco Central (BC), de 4,5%. A projeção do final de 2007 era de 4,1% de inflação para este ano.

A CNI reviu também a participação do setor externo no PIB deste ano. As exportações deverão atingir US$ 190 bilhões, ante projeção de US$ 175 bilhões em dezembro. As importações, segundo a previsão da CNI, chegarão a US$ 165 bilhões, ante os US$ 140 bilhões previstos no final do ano passado. O saldo comercial, então, deverá se manter nos mesmos US$ 25 bilhões previstos em dezembro de 2007.

(VS - InvestNews)