Fluxo negativo e quadro instável pressiona dólar

SÃO PAULO, 28 de março de 2008 - O fluxo negativo e as oscilações das commodities continuou a impor pressão ao dólar. A moeda estrangeira subiu pelo segundo dia consecutivo, a R$ 1,745 (+0,52%). A semana foi marcada pela forte volatilidade, com o dólar oscilando entre R$ 1,72, na cotação mais baixa e R$ 1,75, na mais alta.

O gestor de renda variável da Infinity Asset Management, Georde Sandrs, avalia que diante das incertezas, os investidores estão pautando suas posições com cautela e reagindo, pontualmente, ao noticiário do dia a dia. "Neste mês teve forte saída de bolsas. Os investidores, principalmente, os estrangeiros, estão com medo dos desdobramentos da crise lá fora e da inflação e juro por aqui", comentou. Segundo ele, a divisa ainda sofre os efeitos de saídas de recursos para o exterior, de bancos e empresas privadas, para cobrir as perdas com a falta de liquidez internacional.

Em Nova York, entre as matérias-primas, o petróleo, por exemplo, caía 2%, puxando as ações da Petrobras e o índice geral da Bovespa. Dados contundentes sobre a economia norte-americana também voltaram a preocupar. Se de um lado o PCE, medida de inflação do Federal Reserve subiu 0,1% em fevereiro, em linha com as expectativas afastando as tensões acerca do cenário inflacionário nos EUA. Por outro, o índice de confiança do consumidor caiu ao menor nível em 16 anos, de acordo com a Universidade de Michigan, a 69,5 pontos neste mês, apontando para um temor de recessão nos EUA com possível queda no nível de emprego. Esta última notícia preocupa, uma vez que o consumidor menos confiante tende a gastar menos e o consumo é o que move a economia norte-americana, responsável por cerca de 70% do PIB.

A próxima semana reserva novos episódios de volatilidade, diante da agenda repleta de indicadores. Destaque na próxima sexta-feira para o relatório de trabalho. A previsão é de que a taxa de desemprego suba de 4,8% para 5% em março.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)