Crise e reflexos em Wall Street faz dólar subir

SÃO PAULO, 26 de março de 2008 - A crise norte-americana, em andamento desde meados de 2007, voltou a ter novos capítulos nesta manhã, com reflexos em wall Street e nos demais ativos. O setor de imóveis, estopim dos problemas, mostrou retração brusca de 1,8% nas vendas de imóveis novos em fevereiro, o menor nível em 13 anos.

Mais cedo, já havia sido divulgado que os pedidos por bens duráveis recuaram em mais 1,7% no mês passado, depois de ter caído 4,7% no primeiro mês do ano. Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating como os dados já vinham se deteriorando ao longo do tempo, apenas confirmaram que a economia norte-americana está em recessão e que os bancos podem sofrer novas perdas. No fim da manhã o dólar subiu 0,29%, vendido a R$ 1,736.

"Só falta o PIB confirmar a debilidade da economia americana", disse. O número sai amanhã e a expectativa é de que tenha crescido 0,6% no quatro trimestre. Agostini lembra que os mercados seguem voláteis e reagindo pontualmente aos indicadores e notícias corporativas. "Pela manhã não houve estresse, mas sim um ajuste natural por conta dos números negativos, já que o cenário continua indefinido", ressaltou.

Na sexta, será divulgado o PCE, medida de inflação preferida pelo Federal Reserve na condução da política monetária. A expectativa é que a inflação desacelere e traga otimismo aos negócios. Mas se os números vierem ruins - mercado projeta alta de 0,1% contra 0,3% anterior -, apontando para aceleração da inflação, trará nova onda de aversão ao risco por limitar o espaço do Federal Reserve no corte de juros. No encontro de abril é esperado corte menos agressivo, de 0,50 ponto.

Além disso, notícias envolvendo o Citigroup e o Deutsche Bank reforçam o clima de cautela. O Deutsche afirmou que sua habilidade em atingir a meta de lucro pré-imposto de ? 8,4 bilhões este ano pode ser ameaçada caso as condições do mercado não melhorem. Já o Citi foi novamente alvo de comentários negativos. O banco provavelmente registrará prejuízo em 2008, em razão de perdas contábeis adicionais.

A Bovespa, animada com o acordo de fusão entre sua controladora Bovespa Holding com a BM&F operava em alta. Juntas as duas empresas formarão a Nova Bolsa, que será a segunda maior das Américas por valor de mercado, ficando atrás apenas Bolsa de Mercadorias de Chicago.

Pela manhã, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentou relatório avaliando que a crise nos EUA pode reduzir o crescimento do Brasil. Em 2008, o Ipea prevê que a economia deve se expandir entre 4,2% e 5,2%, mais uma vez impulsionada pelo consumo. No passado, o País cresceu 5,4% e o prognóstico, segundo o relatório Focus, aponta para avanço de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)