Cesp: Serra atribui cancelamento de leilão à crise no exterior

Portal Terra

SÃO PAULO - Ao confirmar o cancelamento do leilão da Compania Energética de São Paulo (Cesp), o governador de São Paulo, José Serra, atribuiu o adiamento da venda da estatal à má conjuntura do mercado internacional. Marcado para amanhã, o leilão foi cancelado porque nenhum dos comprados pré-habilitados depositou as garantias para a compra da empresa.

- A empresa que fosse adquirir a Cesp teria de conseguir financiamento próximo aos (R$) 20 bilhões para arcar com os ativos e também com a dívida da empresa que chega aos (R$) 5 bilhões.

Segundo o governador, no cenário de crise econômica mundial seria difícil levantar este volume de recursos.

Ele defendeu também o fato de ter sido estabelecido um preço de compra em valores absolutos antes da venda da empresa.

- Não tínhamos noção de qual seria a situação no momento da venda. Imagina se tivéssemos dito que sairia pelo valor de mercado - disse.

- O pessoal queria um valor menor, mas nós não vendemos na bacia das almas - disse o governador sobre a negativa do governo estadual em reduzir o valor estipulado para vender a fatia de controle na empresa, estimado em R$ 6,6 bilhões.

O governador reconheceu que o vencimento das concessões de produção de energia em 2015 seria outro fator que contribuiu para o fracasso na venda da empresa nesta quarta-feira.

Serra disse ainda que o governo não sentirá o impacto do cancelamento da entrada de recursos via privatização da Cesp pois a administração estadual tem outras opções de recursos para investimentos.

- Temos margens de financiamentos - explicou.

A Cesp é a maior geradora de energia do Estado e a terceira maior do País, com potência instalada de 7.455 MW, distribuídos em seis hidrelétricas.

As concessões pendentes de renovação em 2015 são as das usinas de Jupiá e Ilha Solteira, que juntas respondem por 5 mil MW da capacidade da empresa. Os empreendimentos pertencem ao governo federal e sua renovação pode vir a título oneroso para a Cesp.