Lula e Durão Barroso dizem que fim da Rodada de Doha está perto

Agência EFE

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o dirigente da Comissão Européia (CE), José Manuel Durão Barroso, coincidiram nesta quarta-feira em que o fim da Rodada de Desenvolvimento de Doha Organização Mundial do Comércio (OMC) pode estar muito mais próximo "do que muitos pensam'.

Segundo Lula, ninguém 'deverá se espantar se rapidamente chegarmos a um acordo na Rodada de Doha, que será muito bom para todo mundo'.

O presidente sustentou que, nas negociações realizadas no marco da OMC, há 'muita boa vontade' por parte dos Estados Unidos, da União Européia (UE) e do Grupo dos Vinte (G20), integrado por Brasil, Índia, África do Sul e outros países em desenvolvimento.

Durão Barroso afirmou, por sua parte, que o Brasil e a UE 'podem contribuir muito para o sucesso da Rodada de Doha' e que 'é possível' alcançar um acordo em um curto prazo. Segundo ele, isso "será muito bom' para a economia mundial.

- A economia internacional precisa de boas notícias e, se concluirmos a Rodada de Doha, essa será uma grande notícia para todo mundo - disse o ex-primeiro-ministro de Portugal.

Lula e Durão Barroso se reuniram hoje durante quase duas horas e depois almoçaram no Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores em Brasília.

Os dois dirigentes explicaram que, em seu encontro, debateram diversas questões da agenda internacional e bilateral entre Brasil e UE, que desde o ano passado têm um acordo de associação estratégica semelhante ao que nações do bloco assinaram com Estados Unidos, China, Japão, Índia, Canadá e África do Sul.

Lula indicou que também discutiram as estagnadas negociações para um acordo de livre-comércio entre UE e Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, que, segundo acordaram ambas as partes, se encontra submetido ao resultado da Rodada de Doha.

Segundo Durão Barroso, Brasil e UE 'podem contribuir juntos para a solução de muitos problemas mundiais', entre eles o aquecimento global e o desenvolvimento dos países mais pobres.

O presidente da CE expressou sua 'grande confiança no futuro do Brasil', país que, segundo ele, 'durante muitos anos foi representado como grande esperança e hoje constitui uma grande certeza'.

Durão Barroso destacou o papel do Brasil como grande produtor de biocombustíveis, combustíveis alternativos ao petróleo que considerou 'bons para o meio ambiente' e que 'servirão para reduzir o efeito estufa'.

Após a reunião com Lula, Durão Barroso viajou para o Rio de Janeiro, onde oferecerá uma conferência na Academia Brasileira de Letras (ABL), que será sua última atividade na visita ao Brasil, que começou na segunda-feira em São Paulo.