Piora externa puxa cotações para cima

SÃO PAULO, 17 de março de 2008 - Uma bateria de acontecimentos trouxe de volta as preocupações com uma possível solvência dos bancos. O ápice é a compra do Bear Stearns pelo JP Morgan a preço de liquidação, US$ 2 por ação, após o banco de investimento admitir problemas de liquidez. No pré-market, as ações do banco recuaram 90%. Na direção contrária, as ações do JP subiam mais de 10%.

"A operação criou um mal estar, reforçando os temores de que outros bancos devem ser afetados pela crise global de crédito", comentou um profissional. Nesta manhã, o banco de investimentos UBS rebaixou suas recomendações para os papéis de Goldman Sachs e Lehman Brothers de compra para neutra, argumentando que a diminuição da liquidez ainda vai piorar.

Em meio às incertezas, crescem nos mercados as apostas de que o Fed pode reduzir em 1 ponto percentual sua taxa básica de juros, para 2% ao ano, na reunião de amanhã. Em fevereiro, a produção industrial norte-americana cedeu ao menor nível dos últimos quatro meses, em 0,5%. Já a atividade industrial na região de Nova York caiu muito abaixo do esperado, para -22,2 pontos em março, superando o menor patamar registrado em novembro de 2001, quando o indicador atingiu -19,6 pontos.

Para acalmar os ânimos, o presidente dos EUA, George W. Bush voltou a reconhecer que o país vive um momento delicado, mas assegurou que a situação será controlada. Na véspera, em mais uma medida emergencial, o Federal Reserve reduziu a taxa anual de redesconto em 0,25 ponto percentual para 3,25%, dentro de uma série de ações para aliviar a crise de créditos do país que ameaça empurrar a economia para a recessão.

Em meio a tantas notícias, uma é boa: o déficit em conta corrente dos EUA recuou 9%, para US$ 738,6 bilhões em 2007, com o aumento das exportações - número 5,3% do PIB. A desvalorização do dólar ante seus pares, como o euro e o iene, deve favorecer os produtos norte-americanos nos mercados estrangeiros, avalia analistas.

Aqui, após três semanas de déficit, a balança comercial voltou a ficar positiva - US$ 527 milhões na 2ª semana do mês - elevando o acumulado no ano para US$ 2,194 bilhões. Analistas consultados pelo BC mantiveram projeções de US$ 29 bilhões para o final do ano.

O dólar, após flutuar entre a mínima de R$ 1,713 e a máxima de R$ 1,735, fechou a primeira etapa da sessão com alta de 0,64%, vendido a R$ 1,725.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)