Onda de aversão ao risco pressiona dólar

SÃO PAULO, 17 de março de 2008 - Uma nova onda de aversão ao risco voltou a assolar os negócios. A aquisição do Bear Stearns, quinto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, pelo JP Morgan, além do corte emergencial de 0,25 ponto percentual promovido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na taxa de redesconto - usada para conceder empréstimos de curto prazo à instituições com problemas temporários de liquidez - e a divulgação de uma série de indicadores negativos nos EUA levaram nervosismo aos mercados. O dólar fechou em alta de 0,53%, vendido a R$ 1,723, seguindo o mau humor das bolsas de valores.

"O mercado viu na compra do Bear um sinal de fragilidade maior do que o previsto no setor bancário", comentou um operador. No final de semana, o JP Morgan fechou um acordo de compra de US$ 236 milhões (US$ 2 por ação) pelo Bear, após o banco de investimento admitir problemas de liquidez.

Para Paulo Fujisaki, analista da corretora Socopa, os investidores continuarão concentrados nos subprimes, mas apesar das notícias negativas, prevalece a trajetória mundial de queda do dólar. "A médio e a longo prazo a crise americana favorecerá os mercados emergentes, por aumentar o espaço para arbitragem com juros", diz. "A tendência é a busca por rentabilidade com relativa segurança e o Brasil oferece isso", completa.

Não bastasse o segmento financeiro, o setor econômico também dá sinal de enfraquecimento. Em fevereiro, a produção industrial norte-americana cedeu ao menor nível dos últimos quatro meses (0,5%). Já a atividade industrial na região de Nova York caiu muito abaixo do esperado, para -22,2 pontos em março, superando o menor patamar registrado em novembro de 2001, quando o indicador atingiu -19,6 pontos. Em meio ao nervosismo, cresceram as apostas de que o Fed pode reduzir em 1 ponto percentual sua taxa básica de juros, para 2% ao ano, na reunião de amanhã. Para Fusijaki, um corte de 0,75 ponto é bem calibrado. "O pessoal espera por um corte de 1% e se isto não vier a acontecer, eles irão pensar sobre os negócios", acrescentou o analista da Socopa.

Ao longo do dia, as declarações do chairman da Casa Branca, George W. Bush, admitindo que os EUA passam por um momento delicado, mas que a situação será controlada, reduziu parte das perdas. O dólar chegou a subir a R$ 1,735 na máxima do dia.

Mantendo a rotina, o BC interveio no mercado com leilão de compra. A autoridade monetária fixou taxa de corte de R$ 1,7230.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)