Biosistemas procura investidor para suprir demanda

SÃO PAULO, 17 de março de 2008 - O uso racional e sustentável da água não é mais somente uma questão ambiental para as indústrias. Com a elevação dos custos das tarifas de água e esgoto cobradas pelos Estados, como São Paulo, o consumo de água passou a ser uma questão econômica que afeta diretamente a competitividade do setor. É no boom deste mercado que a Biosistemas, empresa paulista especializada em tecnologia para tratamento de águas e efluentes líquidos industriais e urbanos, vem aumentando seu portfólio: a procura está tão acirrada que a empresa não está conseguindo atender a demanda.

Desde meados de 2006, a empresa resolveu inverter sua forma de atuação no mercado, passando da venda de soluções ao sistema de concessionária. 'Antes estruturávamos o projeto e a empresa na qual ele seria implementado é quem arcava com todos os custos. Agora atuamos no formato BOT (build, operate and transfer; sigla em inglês que significa construir, operar e transferir)', comenta Lívio Sales, diretor executivo da empresa.

A nova fórmula deu tão certo que a empresa triplicou seu faturamento no comparativo entre 2007 e o ano anterior. 'E a nossa expectativa para 2008 é dobrar de tamanho', indica o diretor que adianta que só no começo deste ano já fechou dois contratos para tratamento de chorume e tem mais oito para ser finalizado.

A procura está sendo tão grande que a empresa não está conseguindo atender a todos os pedidos. 'Hoje a empresa está crescendo fortemente no mercado. Em decorrência disto, não estamos tendo fôlego financeiro para investir em todos os projetos que nos são solicitados, por isto estamos em busca de um sócio-investidor que queira nos acompanhar nesta jornada', declara o diretor. A empresa já está sendo sondada por dois bancos para estruturar um equity e por mais duas empresas que estão com intenção de realizar um equity com a Biosistemas.

Há 15 anos no mercado, a Biosistemas já desenvolveu projetos para empresas como Ambev, Coca-Cola, Kaiser, Cosipa, Petrobras e Vicunha. Para a Ambev, além da planta nacional, a empresa também implementou as unidades de tratamento de afluentes na República Dominicana, Chile, Venezuela e Emirados Árabes. Na Pepsico, foram implementadas as plantas no Brasil, Rússia, Grécia, Polônia e Itália.

Entre as soluções desenvolvidas pela Biosistemas estão: Ultrafiltração e Osmose Reversa (para produção de água Ultra-Pura), Anaeróbia de alta eficiência (para a despoluição de efluentes orgânicos) e estações de tratamento de esgotos compactas, além de tecnologias específicas direcionadas para cada tipo de atividade produtiva. Todavia, a empresa tem concentrado seus esforços em duas áreas de atuação: no tratamento do chorume (resíduo líquido formado a partir da decomposição de matéria orgânica presente no lixo) e dos resíduos líquidos provenientes da produção do açúcar/etanol transformando-os em condição de água de reuso, usadas para processos como irrigação ou descarte nos rios.

'Acreditamos ainda que neste cenário onde as empresas vêem a água como um fator econômico importante deve gerar um aumento na procura pelos processos de reutilização de água - tecnologia que pode reduzir em até 70% o consumo deste insumo em uma indústria', explica Sales. 'Só o Estado de São Paulo possui aproximadamente 130 mil indústrias e somente cerca de 25% reciclam o insumo. Isto é um grande potencial para a nossa empresa', completa o diretor.

(Angela Ferreira - InvestNews)