Dólar também sofre pressão do mercado externo, avalia economista

Agência Brasil

BRASÍLIA - As medidas anunciadas esta semana pelo governo para desonerar as exportações não terão efeito de frear a queda do dólar, avaliou - em entrevista à Agência Brasil, o professor de Comércio Exterior da Trevisan Escola de Negócios, Olavo Furtado. As medidas entram em vigor na próxima segunda (17).

Ele analisou, porém, que as medidas são positivas dentro do ambiente que é possível ser feito . Para conter a desvalorização do dólar, o governo eliminou a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de câmbio dos exportadores e o fim da cobertura cambial nas operações externas, que permitirá a quem exporta manter o total da receita fora do país. Antes, só 30% dos recursos obtidos com as exportações podiam ser mantidos no exterior.

Olavo Furtado afirmou que o fenômeno do dólar depreciado não é novo. Ele disse que o quadro externo também tem seu peso sobre o dólar e acrescentou que, embora o Brasil seja principalmente um exportador de commodites (produtos agrícolas e minerais), a recessão norte-americana acabará tendo reflexos sobre o comércio exterior brasileiro no médio prazo.

Furtado afirmou que a possibilidade do Brasil continuar atraindo capital estrangeiro não vai diminuir a competitividade do setor exportador nacional. Ao contrário, poderá servir como incentivo para uma presença maior dos produtos nacionais no exterior e para a internacionalização das empresas brasileiras.

- Tudo que facilita a competição é bem vindo. Eu sou um defensor do livre mercado.

O professor lembrou que o governo federal tem se preocupado em criar condições para que a indústria nacional consiga levar seus produtos para o mercado internacional.

- É uma regra que independe de partidos políticos - destacou.

Olavo Furtado salientou que, para estimular as exportações, deve-se dar prioridade à questão da infra-estrutura.

- Precisamos criar condições para que tudo que é produzido nesse país chegue ao porto, ao aeroporto. Ou seja, que a produção seja escoada - alertou.

Ele reconhece que, no entanto, questões de infra-estrutura não se resolvem a curto prazo.

- Não é com um pacote imediato. Na realidade, é com um programa de desenvolvimento, que eu acho que vem de encontro com o que está por trás do Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) e outras medidas que o governo tem tomado.

Para Furtado, outra forma de incentivar as exportações é desregulamentar o comércio exterior. Ele disse que a burocracia no setor impede que os pequenos e médios empresários tenham acesso ao mercado externo.

- Quanto mais você criar condições de acesso ao mercado externo, vai ter uma inserção maior de empresas. E, com certeza, isso diminui a dependência de fatores como o dólar - conclui.