Socorro ao Bear Stearns pressiona e dólar sobe

SÃO PAULO, 14 de março de 2008 - O dólar terminou a semana em forte alta de 1,30%, vendido a R$ 1,714, reagindo negativamente, como os demais mercados, às novas notícias relacionadas a crise de crédito nos Estados Unidos. O JP Morgan e o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) acertaram um financiamento emergencial para ajudar o banco de investimento norte-americano Bear Stearns a superar seu problema de liquidez. Os empréstimos serão feitos por um período inicial de 28 dias.

A notícia fez as ações do banco recuaram mais de 50%, puxando consigo os índices das bolsas de Nova York. Dow Jones perdia 1,31% e Nasdaq 1,92%. Na Europa, todas as bolsas fecharam em queda.

Hideaki Iha, gerente de câmbio da Fair Corretora avalia que o socorro é positivo, mas não será suficiente para resolver os problemas da instituição. Em discurso, o chairman do Fed, Ben Bernanke, prometeu se esforçar para amenizar os danos provocados pela onda de execuções hipotecárias. Já o presidente dos EUA, George W. Bush admitiu que o país atravessa por um momento difícil, mas se mostrou confiante com a capacidade de recuperação.

Na próxima semana o Fed se reúne para discutir sobre política monetária. Para Iha, o juro será cortado em ao menos 0,75 ponto percentual. "Os números do CPI (sigla em inglês para Índice de Preços ao Consumidor) aliviaram e deram um gás para o Fed usar a arma de redução de juros. Mas o petróleo em preços recordes e o dólar se depreciando complica a decisão", resumiu.

De acordo com o Departamento de Trabalho, o Índice de Preços ao Consumidor ficou estável em fevereiro, quando comparado com o mês anterior e subiu 4%, abaixo do esperado, na comparação anual. Já o núcleo, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, também ficou estável em fevereiro, enquanto que as projeções apontavam para alta de 0,2% e subiu a uma taxa anual de 2,3%.

A agenda da próxima semana promete mais volatilidade, com destaque para o relatório de emprego americano. "Hoje o mercado está sem tendência, variando ao sabor do noticiário", concluiu Iha.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)