Dólar fraco novamente prejudica negócios na Ásia

SÃO PAULO, 14 de março de 2008 - As bolsas acionárias da Ásia encerraram a semana em queda, novamente prejudicadas pela desvalorização do dólar no mercado de divisas internacional. As expectativas de que as instituições financeiras colocariam um ponto final nas amortizações relacionadas às hipotecas de alto risco nos Estados Unidos foram descartadas após a moeda norte-americana atingir 99,88 ienes, registrando sua menor cotação desde 1995.

O índice Nikkei 225 de Tóquio fechou com queda de 1,54%, aos 12.241,60 pontos, registrando seu menor nível em dois anos e meio. O indicador Kospi de Seul recuou 0,95%, para 1.600,26 pontos. Em Hong Kong, o índice referencial Hang Seng caiu 0,29%, para 22.237,11 pontos. Já na China, o índice Xangai Composto apontou baixa de 0,22%, aos 3.962,67 pontos.

Ontem, o alívio ao mercado acionário veio de um relatório da Standard & Poor´s. Segundo estimativa da agência de classificação de risco, as instituições financeiras estariam próximas de finalizar o processo de baixas contábeis em suas carteiras de títulos ligadas a hipotecas imobiliárias. A notícia foi recebida com otimismo pelos investidores e impulsionou os ganhos em Wall Street.

No entanto, o cenário foi revertido durante as sessões nos pregões asiáticos. Às 02h31 (horário de Brasília), a moeda norte-americana era cotada a 99,88 ienes, próxima dos 99,78 ienes registrados no fechamento de quinta-feira em Nova York, nível mais baixo do dólar frente ao iene desde o final de 1995.

No final do dia, a moeda norte-americana encerrou cotada a 100,27 ienes, ante os 100,17 ienes observados no fechamento da sessão anterior. Em Tóquio, as companhias exportadoras estenderam as perdas observadas nos últimos pregões. Os investidores optaram por vender ações do setor, já que o dólar fraco torna menos competitivos os produtos nipônicos no mercado internacional.

Entre as empresas de tecnologia, as ações da Canon caíram 1,35%, enquanto as da Sony perderam 2,33%. Já no setor automotivo, os papéis da Toyota, Honda e Mazda recuaram 3,05%, 4,42% e 5,04%, respectivamente.

Na China, o desempenho negativo do índice Xangai Composto foi também influenciado pelos temores de que o governo chinês poderá anunciar novas medidas para combater a pressão inflacionária que afeta o país. Já na Austrália, o cenário positivo foi impulsionado pela notícia de que a estatal Sinosteel, segunda maior importadora de minério de ferro da China, lançou hoje uma oferta de aquisição de US$ 1,1 bilhão para a mineradora australiana Midwest.

(Marcel Salim - InvestNews)