DIs acompanham piora no cenário externo

SÃO PAULO, 14 de março de 2008 - A forte volatilidade que vem marcando os negócios desde o segundo semestre de 2007 - por conta da crise no crédito imobiliário nos Estados Unidos - continua influenciado o humor dos investidores. Em meio às incertezas, a maioria das projeções de juros dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) sinalizou alta nesta sexta-feira. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, apontava juro anual de 13,10%, ante 12,97% do ajuste anterior.

Nos EUA, a notícia de que o banco de investimentos JP Morgan e o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) irão oferecer ajuda temporária para reforçar o capital do Bear Stearns foi recebida pelos investidores como sinal de que a crise de crédito nos EUA ainda é grave. Diante desse quadro de incertezas, o resultado do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) norte-americano ficou para segundo plano, mesmo mostrando que a pressão sobre os preços está arrefecendo. O indicador ficou inalterado em fevereiro quando comparado com o mês anterior e subiu 4%, abaixo do esperado, na comparação anual. Já o núcleo, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, também ficou estável em fevereiro, enquanto que as projeções apontavam para alta de 0,2%.

No mercado doméstico, cresce a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) irá elevar a taxa Selic, fixada em 11,25% ao ano, na reunião de abril ou junho. Essa idéia já está precificada no mercado de juros futuros e a cada dia ganha força, principalmente, após a divulgação na véspera da ata da última reunião do Copom que foi considera "dura" pelos analistas. Os diretores do Banco Central além de mostrarem preocupação com os preços revelam também receio na questão do descompasso entre o crescimento da oferta e da demanda.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)