Expansão deve arrefecer em 2010, diz estudo

SÃO PAULO, 13 de março de 2008 - A acentuada expansão dos negócios da indústria brasileira de papel e celulose irá durar até o final do próximo ano. Este cenário, marcado por um crescimento da demanda mais acentuado do que a capacidade de oferta - o que permite aos fabricantes aplicar consecutivos reajustes nos preços dos produtos -, deverá perdurar até 2010, quando o setor conviverá com os primeiros sinais de estabilidade no crescimento. Esta é a principal conclusão de um recente estudo elaborado pela All Consulting e divulgado com exclusividade à InvestNews.

Nos dois próximos anos, o setor ainda encontrará um cenário marcado pelo aumento das demandas interna e externa pelo produto nacional. Neste período, os fabricantes instalados no Brasil devem buscar novos mercados no exterior, principalmente em regiões com grande potencial de crescimento, como a Ásia.

Passado o período de avanços mais significativos no exterior, os fabricantes nacionais devem encontrar menos espaço para se expandirem em outros países. Já no Brasil, o que limitará a expansão do setor será a maior robustez dos dados usados como base de comparação. 'A demanda continuará aquecida em 2010, mas o crescimento do setor já não será tão vigoroso', alerta a diretora da consultoria All Consulting, Simone Escudêro.

Apesar de prever um sinal de estabilidade na demanda interna, a diretora acredita que o setor ainda terá boas notícias em 2010. 'O aumento da produção interna deverá limitar o crescimento das importações. Também é possível que seja implantada pelo governo brasileiro alguma medida que iniba as importações', prevê Simone. Já as exportações apresentarão 'tímido crescimento', após os resultados expressivos previstos para os anos de 2008 e 2009.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), as exportações brasileiras de celulose cresceram 7,1% em 2007, contra o ano anterior, para 6,6 milhões de toneladas. Já as vendas externas de papel tiveram alta de 2% no ano passado, para 2 milhões de toneladas, após registrarem queda de 2,4% em 2006.

'As empresas brasileiras já tiveram problemas em situações como a crise da Argentina e os ataques dos Estados Unidos e decidiram distribuir melhor suas exportações. Assim, conseguiram acabar com a dependência de um único mercado', analisa Simone. Esta política, segunda ela, será uma das razões que permitirá aos fabricantes de papel e celulose superarem a provável desaceleração da economia norte-americana sem grandes impactos.

Tradicionalmente, o principal destino da celulose brasileira é a Europa. Já no caso do papel, o maior mercado é a América Latina. E em ambos os casos essas regiões respondem por aproximadamente 50% do total de vendas externas, o que comprova a diversificação da atuação externa das empresas instaladas no Brasil.

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(André Magnabosco - InvestNews)