Bolívia pede ao Brasil que garanta investimentos na área do gás

Agência EFE

LA PAZ - O Governo da Bolívia pediu nesta terça ao Brasil que assegure o investimento prometido pela Petrobras para aumentar a produção de gás natural e garantir a entrega do combustível tanto ao Brasil quanto à Argentina.

O 'Brasil tem que garantir esse investimento', disse em entrevista coletiva o ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, em referência ao compromisso anunciado pela Petrobras em dezembro passado em La Paz. A intenção seria aplicar entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão na Bolívia nos próximos.

Segundo Villegas, a companhia petrolífera brasileira apresentará seu plano de investimento em meados deste ano.

- Temos que produzir mais gás - acrescentou o ministro ao destacar que o tema energético será, daqui pra frente, um 'eixo de preocupação e de definições políticas' na região.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu no sábado passado, em Buenos Aires, com a presidente da Argentina, Cristina Kirschner e da Bolívia, Evo Morales, mas o encontro não gerou nenhum acordo para solucionar os problemas na repartição de gás.

A atual produção boliviana de gás ronda os 40 milhões de metros cúbicos diários, que subirão este ano para 42 milhões, enquanto a demanda do mercado externo e interno está por volta dos 46 milhões de metros cúbicos por dia.

A Bolívia envia entre 27 e 30 milhões de metros cúbicos diários de gás ao Brasil e tem vigente um acordo para exportar 7,7 milhões de metros cúbicos para a Argentina, embora atualmente o fluxo se limite a cerca de três milhões de metros cúbicos.

Morales comentou no domingo que os três países concordaram em trabalhar 'de maneira solidária' para encontrar uma solução ao tema e fazer propostas para caso se inicie 'um problema muito sério na Argentina' assim que o inverno começar, quando há forte aumento na demanda.

No entanto, o Brasil mantém que não pode ceder à Argentina parte do gás boliviano que recebe, mas não nega que possa enviar eletricidade a seu vizinho para ajudar a atender a demanda durante o inverno.

O ministro boliviano explicou hoje que a reunião dos três presidentes em Buenos Aires concluiu sem acordos porque cada Governo possuía até agora informações diferentes sobre a produção e a demanda energética de cada país.

- É preciso homogeneizar essa informação - indicou Villegas, ao detalhar que essa tarefa será realizada pela 'coordenadoria energética' integrada pelos ministros de Hidrocarbonetos dos três países, que se reunirá no próximo mês em La Paz.

O funcionário boliviano informou ainda que não só é preciso fechar um acordo sobre o fornecimento de gás para o Brasil e Argentina este ano, mas também encontrar 'soluções estruturais' que permitam a maior geração de diversas fontes de energia no Cone Sul.

Nesse sentido, Villegas antecipou que a Bolívia quer fazer um profundo estudo de seus recursos hídricos com apoio da Argentina e Brasil para explorar as possibilidades de produzir energia em plantas hidroelétricas.

Acrescentou que o Governo boliviano também está em conversas com a empresa estatal argentina Enarsa para criar uma sociedade anônima mista que efetue estudos sobre prospecção e exploração de hidrocarbonetos.