Dólar recua nos últimos cinco dias e perde mais de 2%

SÃO PAULO, 22 de fevereiro de 2008 - Sem divulgações de peso na agenda, o mercado de câmbio seguiu o bom momento da economia brasileira e se manteve no menor nível dos últimos nove anos. O dólar fechou em leve queda de 0,12%, vendido a R$ 1,708, mas chegou a romper a taxa de R$ 1,70 ao longo do dia, se descolando do mau humor das bolsas internacionais. Em cinco dias consecutivos, o dólar acumulou 2,7% de perdas.

Para Júlio Cesar Vogeler, operador da Corretora Didier Levy a valorização é fruto da situação do País. "Estão todos focados na economia brasileira e os estrangeiros estão voltando", disse, citando que nos dez primeiros dias do mês, o saldo da Bovespa estava positivo em US$ 299,67 milhões, contra saques de US$ 4,731 bilhões em janeiro.

A expectativa de "investment grade" ainda neste ano - fator que Vogeler não acredita que venha a acontecer - os altos juros, atrativo às operações de arbitragem e as reservas internacionais em níveis recordes (mais de US$ 188 bilhões), tornando o País pela primeira vez na história credor líquido externo, engrossam a cada dia os ingressos de capital em direção ao País. Para fazer frente a este fluxo, o Banco Central mantém seus leilões diários no mercado à vista. Hoje, fixou taxa de corte de R$ 1,708.

Nesta semana, a pressão de baixa sobre o dólar aumentou depois que notícias sinalizaram para mais fluxo positivo. Uma delas foi o reajuste, em média, de 70% no preço do minério de ferro pela Vale, que deverá ampliar o saldo da balança comercial. A confirmação do leilão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) também ajudou.

Hoje, o dólar chegou a subir em alguns momentos do dia. Miriam Tavares, diretora da AGK corretora lembra que como os ativos brasileiros não estão totalmente imunes aos impactos negativos da crise externa, seus preços encontraram algums limites.

Para Voegeler, há um ponto de suporte importante em R$ 1,70 e quando bate neste piso, tesourarias saem comprando para refazer posições. "Mas contra fluxo não há resistência e a tendência de queda permanece".

Nos próximos dias, o mercado estará atento a agenda norte-americana e ao comportamento dos investidores, se vão continuar ou não apostando na valorização do dólar. "Se isso acontecer, fatalmente o dólar romperá a barreira de R$ 1,70", completou.

Para Semana que vem, atenções na segunda revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no quarto trimestre, renda e gasto do consumidor, além de dados sobre o setor imobiliário.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)