Dólar cai 4% no ano, apesar da crise externa

SÃO PAULO, 21 de fevereiro de 2008 - Mesmo com toda a onda de pessimismo que assolou os mercados neste começo de ano, gerada pela crise de crédito nos Estados Unidos, os ativos domésticos, em especial o câmbio, conseguiram se manter em boa posição. Em 2008, impulsionado pelos fundamentos do País, em meio a uma alta taxa de juros pagas em reais, o dólar já acumula quase 4% de desvalorização sobre a moeda brasileira.

O gerente financeiro da Hencorp Commcor, Rodrigo Nassar Bautista, analisa que o quarto dia seguido de valorização dos ativos, em dia de agenda fraca, com indicadores em linha com o esperado, abriu espaço para os movimentos de realização de lucro. As bolsas, que registraram fortes ganhos pela manhã, passaram a cair na segunda etapa do dia. "Mas no câmbio, o forte fluxo de operações financeiras sustentou o dólar em queda", comentou ressaltando que uma cesta de fatores, além dos juros altos, mantém a tendência de depreciação da moeda. Nas mesas de operações, profissionais destacaram a entrada de cerca de US$ 1,5 bilhão de uma empresa siderúrgica para alocação de investimentos. Também comenta-se o ingresso antecipado de recursos estrangeiros com a privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), no mês que vem.

"O mercado também está menos cético quanto aos problemas internacionais, e vê com bons olhos a recuperação da economia norte-americana e tudo isso colabora com a melhora dos ativos por aqui", completou. É esperado que em março, o Fed reduza mais uma vez o juro em 0,50 ponto percentual.

Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez concorda com a avaliação de Bautista e acrescenta que o movimento global de desvalorização do dólar, em meio ao alto preço das commodites, ajuda a explicar, em partes, a apreciação do real.

Além disso, o fluxo segue forte. "O link com o quadro externo é mais forte quando se tem risco de travamento de liquidez, o que não acontece por aqui", destacou Voss.

A perspectiva de que o País possa ser contemplado, ainda este ano, com o chamado grau de investimento, por uma das agências de classificação de risco, também anima os investidores. E a expectativa de que o "upgrade" pode vir mais rápido do que o esperado foi reforçado hoje com a divulgação do relatório "Indicadores de Sustentabilidade Externa do Brasil, Evolução Recente", pelo Banco Central. Estimativas mostram que o Brasil já é credor externo ao terminar janeiro com a dívida externa líquida negativa em mais de R$ 4 bilhões.

O dólar fechou em baixa de 0,81%, vendido a R$ 1,71, no menor nível desde maio de 1999, mas atingiu a mínima de R$ 1,70, perdendo ímpeto após a atuação do Banco Central. A autoridade monetária comprou dólares a uma taxa média de R$ 1,709.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)