Aprovada criação da CPMI dos cartões corporativos

SÃO PAULO, 21 de fevereiro de 2008 - Em reunião do Congresso Nacional nesta quinta-feira, presidida pelo senador Garibaldi Alves Filho, foi lido o requerimento do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que deverá apurar irregularidades no uso de cartões corporativos.

Agora os líderes dos partidos têm um prazo de cinco dias para indicar os membros da comissão. O PMDB já indicou o nome do senador Neuto de Conto (PMDB-SC) para presidir a CPMI e o PT apontou o deputado Luiz Sérgio (RJ) para o cargo de relator. O deputado Carlos Sampaio acredita que na próxima quinta-feira possa ser realizada a primeira reunião da CPMI.

De acordo com o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), a oposição continua com esperança de conseguir a presidência da comissão mista. "A investigação tem de ser feita de qualquer forma. Se o governo se recusa a dividir a presidência com a oposição, dá a impressão de que eles têm muito a esconder. O governo fica agindo na base do Chico Anísio: Sou, mas quem não é? Para nós não há problema, investigaremos o governo de Fernando Henrique Cardoso se forem encontradas irregularidades", afirmou Arthur Virgílio.

O senador afirmou em entrevista, após a reunião do Congresso, que caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva torne pública todas as informações sobre uso do cartão corporativo pela Presidência da República, a oposição desistiria da instalação de qualquer CPI sobre o assunto.

O senador disse ainda que o governador de São Paulo, José Serra, tomou medidas para solucionar problemas com o uso de cartões de crédito por servidores estaduais. Mas, para Arthur Virgílio, caso as medidas não atendam a opinião pública, uma CPI deve ser instalada naquele estado também.

O líder do PSDB disse ainda que nem sempre o fato de o comando de uma CPI estar nas mãos do governo significa que as investigações não serão profundas, lembrando o caso da CPMI dos Correios, que tinha na direção parlamentares da base do governo e, mesmo assim, pediu o indiciamento de suspeitos que agora são investigados pelo Supremo Tribunal Federal.

Na opinião de Virgílio, se de fato forem instaladas duas CPIs - uma mista e uma no Senado -, uma fiscalizará o trabalho da outra. Além disso, a força da oposição no Senado é maior, lembrou o líder. O deputado Carlos Sampaio também não vê problema no funcionamento de duas CPIs ao mesmo tempo. Para Sampaio, serão duas linhas investigativas com dinâmicas próprias. O problema, observou, é que há mais quatro comissões de inquérito aguardando instalação no Senado, porque os requerimentos já foram entregues e lidos.

(Redação - InvestNews)