UE segue sem garantias suficientes para autorizar carne brasileira

Agência EFE

BRUXELAS - A Comissão Européia (CE) segue sem receber as garantias que considera necessárias para retomar as importações de carne bovina do Brasil, bloqueadas em 31 de janeiro, segundo informou nesta sexta-feira uma porta-voz do Executivo da União Européia.

O Brasil remeteu à CE uma lista com 2.681 propriedades interessadas na exportação de carne ao mercado comunitário.

- Mas até agora as autoridades brasileiras não enviaram relatórios completos de inspeções que assegurem que esses estabelecimentos cumprem com todos os requisitos impostos pela UE - disse a porta-voz.

As condições exigidas por Bruxelas são aquelas que entraram em vigor em 31 de janeiro, e prevêem, entre outros pontos, que só será permitida a entrada de carne bovina procedente de grupos empresariais incluídos em uma lista autorizada pela UE, para o que terão que cumprir determinadas obrigações.

A carne deverá proceder de animais que tenham permanecido pelo menos 90 dias em zonas aprovadas pela UE, e durante um mínimo de 40 dias em áreas autorizadas antes de seu abate.

As regras européias obrigam também que todas as cabeças de gado das fazendas autorizadas sejam registradas em um sistema nacional de identificação de gado.

A porta-voz comunitária indicou que antes de incluir as fazendas brasileiras em sua lista, a CE "estudará as garantias dadas pelas autoridades do Brasil".

- Com base nesse exame, decidiremos quais podem ser autorizadas, e quais deverão esperar os resultados das novas inspeções - disse.

O Brasil é o maior exportador de carne bovina à UE, com 65,9% do volume das importações e 56,5% do valor total dos envios desse produto que chegam ao mercado comunitário, segundo dados da CE, correspondentes a 2006.

A CE assegurou recentemente que não teme problemas de escassez de carne bovina, e que a demanda poderia ser suprida por envios de outros países, como Argentina, Austrália e Uruguai.

O Brasil, por sua parte, afirma que esses exportadores não conseguirão suprir a demanda de carne bovina da UE.

Entre os argumentos do Brasil, líder mundial nos envios de carne bovina, figura sua tradição no setor, pois há 70 anos exporta ao mercado europeu sem problemas de saúde pública ou animal.

As restrições da UE à carne brasileira são resultado de pressões dos produtores da Inglaterra e da Irlanda, que alegaram, entre outros motivos, o risco de febre aftosa.

O Brasil diz que os focos de aftosa são muito limitados, e em regiões que não enviam carne à UE.

O país ameaçou recorrer perante a Organização Mundial do Comércio contra este embargo, mas tem interesse negociar uma solução com a UE, pois o mercado comunitário compra em torno ao 40% da carne brasileira.