França admite crise no banco e quer renúncia de chairman

REUTERS

PARIS - O governo francês advertiu, nesta terça-feira, os bancos rivais para não tentar obter o controle do Société Générale, que procura se recuperar de perdas que teriam sido causadas por um operador, mas colocou pressão para que o presidente da instituição se demita.

- O governo está muito atento a todas as tentativas de desestabilizar o Société Générale - disse o primeiro-ministro, François Fillon. - O governo não quer que o banco seja objeto de movimentos hostis de outras empresas.

No dia 24 de janeiro, a instituição financeira descobriu uma enorme negociação de ações não autorizadas feitas por um de seus empregados, que resultou em perdas de 4,9 bilhões de euros (US$ 7,2 bilhões).

Jerome Kerviel, um operador júnior de 31 anos, foi posto sob investigação por abuso de confiança e outros delitos na segunda-feira, mas os juízes derrubaram a maior acusação de fraude fiscal feita pelo banco e os procuradores o colocaram em liberdade sob fiança. O governo expressou sua contrariedade por não ter sido informado antes de que o escândalo viesse à tona na semana passada.

Os diretores do banco francês sofreram mais embaraços quando o procurador-geral do país revelou na segunda-feira que a Eurex, uma bolsa de derivativos controlada pela Deutsche Boerse, havia questionado as posições de Kerviel em novembro, mas que o operador tinha conseguido evitar que as questões chegassem a seus superiores.

A situação da instituição financeira alimentou antigas especulações de que o BNP Paribas, maior banco francês listado em bolsa, pode fazer uma oferta de compra. A instituição escapou de uma tentativa de compra pelo BNP em 1999. A ministra da Economia da França chamou à responsabilidade as lideranças do banco nesta terça-feira usando uma linguagem dura, que analistas disseram ser incomum para um membro importante do Executivo.

- O Société Générale está numa situação de crise - disse a ministra Christine Lagarde.

- Em momentos de dificuldade, os membros da diretoria devem decidir se a pessoa no comando é a melhor para conduzir o navio quando ele está fazendo um pouco de água ou se precisam mudar o capitão - disse a ministra.

Analistas disseram que os comentários colocaram pressão sobre o chairman, Daniel Bouton, para deixar o cargo após o presidente francês, Nicolas Sarkozy, pressionar os diretores do SocGen na noite de segunda-feira.

O presidente afirmou que eles teriam que aceitar sua parcela de responsabilidade pelo maior escândalo do tipo no mundo.