Crédito referencial para juros subiu 28% no ano passado

SÃO PAULO, 29 de janeiro de 2008 - O crédito referencial para taxa de juros apresentou alta de 2,7% em dezembro, face novembro, e de 28% em 2007 se comparado com o ano anterior, atingindo R$ 524,2 bilhões, informou hoje o Banco Central (BC). "Os financiamentos contratados por pessoas jurídicas, impulsionados pelo dinamismo da atividade produtiva, registraram a evolução mais expressiva, ratificando comportamento observado no segundo semestre e intensificado no último trimestre por fatores sazonais", destacou o BC em nota.

Assim, o volume de crédito destinado às empresas somou R$ 283,5 bilhões em dezembro, com aumentos de 4,6% no mês e de 30,3% no ano, comparativamente à evolução de 17,4% em 2006. As operações lastreadas em recursos domésticos aumentaram 5,6% no mês e 30,3% no ano, totalizando R$ 215 bilhões, destacando-se as contratações relativas a capital de giro, as quais cresceram 7,5% e 43,7% nos mesmos períodos. As modalidades de crédito com recursos externos apresentaram incremento de 1,4% no mês, somando R$ 68,6 bilhões.

O estoque de crédito destinado às pessoas físicas totalizou R$ 240,7 bilhões em dezembro, com aumentos de 0,5% no mês e de 25,5% no ano, ante variação de 23,6% em 2006. A discreta evolução mensal refletiu as quedas nas carteiras de cheque especial e cartão de crédito, associadas à amortização de dívidas com recursos do décimo terceiro salário, conjugadas à expansão moderada nos empréstimos de crédito pessoal, também vinculada à maior liquidez do período. Os financiamentos para aquisição de bens mantiveram trajetória de crescimento, registrando acréscimos de 2,9% no mês e de 26,8% no ano, respectivamente.

A taxa média de juros relativa às operações de crédito referenciais situou-se no menor valor da série histórica iniciada em junho de 2000, 33,8% ao ano, com reduções de 0,9 ponto percentual no mês e de 6 p.p. no ano. Nos mesmos períodos, o spread bancário apresentou decréscimos respectivos de 1,1 p.p. e de 4,8 p.p., atingindo 22,4 p.p. em dezembro, patamar mais reduzido da série temporal.

O custo médio dos empréstimos destinados às pessoas físicas apresentou retração de 0,9 p.p. no mês e de 8,2 p.p. em doze meses, alcançando 43,9% a.a. A diminuição mensal refletiu, principalmente, a retração da taxa média de crédito pessoal, que alcançou 45,8% a.a., o menor valor registrado para a modalidade.

A taxa média para pessoas jurídicas revelou contração de 0,4 p.p. no mês, atingindo 22,9% a.a. O desempenho refletiu reduções nos encargos prefixados e flutuantes de 0,6 p.p. em ambas as categorias, ressaltando-se as modalidades de conta garantida e capital de giro. No ano, o recuo mais significativo, 4,7 p.p., verificou-se nas modalidades com encargos prefixados, com destaque para as reduções de 7,6 p.p. e de 6 p.p. nas taxas referentes a conta garantida e a financiamentos para aquisição de bens.

A inadimplência relativa ao crédito referencial, considerados os atrasos superiores a noventa dias, apresentou redução de 0,2 p.p. em dezembro, correspondendo a 4,3% da carteira total de empréstimos. Esse resultado foi determinado pela queda de 0,2 p.p. nos atrasos referentes a pessoas jurídicas, que alcançaram 2% no mês, bem como pela redução de 0,1 p.p. nos atrasos das operações voltadas às pessoas físicas, que se situaram em 7%.

(VS - InvestNews)