Força tarefa busca fraudadores em MG

SÃO PAULO, 28 de janeiro de 2008 - A Força Tarefa Previdenciária - Polícia Federal, Previdência Social e Ministério Público Federal - deflagrou neste final de semana, em Governador Valadares, região Leste de Minas Gerais, a operação policial 'Hemostasia' para prender sete integrantes de uma quadrilha especializada em fraudes contra a Previdência Social. Levantamentos iniciais indicam que os prejuízos aos cofres públicos podem superar a R$ 10 milhões. Já foram identificados 500 benefícios falsos, de um volume superior a 10 mil benefícios concedidos pela organização criminosa.

Até o momento, apenas cinco envolvidos foram presos, sendo um deles um médico perito da Previdência Social há 24 anos. Outros dois encontram-se foragidos. Durante a Operação Hemostasia foram cumpridos ainda 27 mandados de busca e apreensão nos endereços residenciais e de escritórios de advocacia, contabilidade e de clínicas e consultórios médicos da região. Dentre os presos estão advogado, agenciadores, procuradores e beneficiários.

A prisão do perito, no entanto, não prejudicou o atendimento da perícia médica na Agência da Previdência Social Governador Valadares. O gerente regional do INSS Belo Horizonte, Manoel Lessa, explicou que todo o agendamento, anteriormente marcado para o perito, foi transferido para os demais profissionais da casa.

A fraude consistia na concessão irregular dos benefícios por incapacidade, o auxílio-doença e a aposentadoria por invalidez. O delegado responsável pela Operação, José Otávio Cançado, afirma que o resultado da investigação mostra um esquema de fraudes operado desde 2000, quando o também acusado e preso pelo envolvimento no assassinato da médica Maria Cristina de Souza Felipe da Silva, o perito Milson Brige, fazia as articulações necessárias ao esquema fraudulento no exercício da atividade na Previdência Social.

A médica investigava irregularidades na concessão de benefícios e teve sua morte encomendada por um perito médico participante do esquema. Ainda de acordo com a Polícia Federal, as investigações realizadas sobre a morte da perita revelaram a existência de uma quadrilha especializada em fraudes previdenciárias, com um núcleo formado por peritos médicos da Previdência Social, despachantes, agenciadores e médicos sem vínculos com a Previdência.

Na maioria dos casos, os beneficiados eram aqueles que tinham o benefício por incapacidade negado por falta de qualidade de segurado junto à Previdência - falta de contribuição. Tinham a perícia remarcada e direcionada para o médico perito que participava do esquema, explica o gerente.

A operação, que envolveu mais de 100 policiais federais, foi batizada com o nome de 'Hemostasia' - alusão ao mecanismo que o próprio organismo humano emprega para coibir hemorragias - tem o sentido de 'estancar o sangramento' do cofre público da Previdência Social, diante do elevado número de benefícios concedidos irregularmente mediante ação criminosa dessa quadrilha.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)

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