Empresas se voltam para emissões no mercado local

SÃO PAULO, 28 de janeiro de 2008 - Com a crise no mercado de crédito, que atingiu principalmente os bancos norte-americanos e europeus e trouxe um aumento da aversão ao risco para os mercados, muitas companhias brasileiras passaram a considerar a emissão no mercado doméstico como uma alternativa ao mercado de bônus que teve seu custo elevado nos últimos meses.

Segundo o superintendente executivo de investimentos em Renda Fixa do banco ABN Amro Real, Eduardo Castro, muitas companhias que têm necessidade de crédito estão buscando diversificar seus financiamentos e estudando a colocação de papéis de dívidas no mercado local, por meio da emissão de debêntures, num primeiro momento até que as condições do mercado externo se normalizem.

No entanto, Castro ressalta que a intenção de colocação tem caído muito nos últimos três meses por conta da elevação dos custos de captação. 'Devemos ter um hiato de três a quatro meses até que o sistema financeiro se torne mais previsível. No momento ainda é difícil se ter alguma previsão do cenário macroeconômico', afirma.

Ele destaca que tanto os compradores locais como externos estão mais cautelosos, apresentando uma demanda mais seletiva em relação às empresas, o que acaba impactando na precificação dos papéis. 'Os investidores devem cobrar um prêmio maior por conta da atual volatilidade nos mercados', diz.

Para Castro, num primeiro momento, assim que os mercados começarem a se normalizar, deve haver um interesse maior por emissão de dívida que por oferta de ações, uma vez que o mercado de debêntures é menos dependente dos investidores estrangeiros, movimentado basicamente por compradores institucionais e investidores qualificados brasileiros.

Segundo o sócio-diretor da Queluz Securities, Carlos Gribel, embora o mercado local ainda ofereça prazos menores para a colocação dos papéis, em média de três a cinco anos, o aumento do custo das operações no mercado externo e o encarecimento do hedge em dólares deve incentivar o aumento das emissões locais.

No ano passado, as operações de renda fixa , que incluem as emissões de notas promissórias, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI's), Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC's) e debêntures, somaram R$ 67 bilhões, sendo que s debêntures responderam por 69% do total. As emissões de renda fixa responderam por 47,1% do total captado no mercado de capitais doméstico, que apresentou forte crescimento das operações de renda variável, que somaram R$ 75, 4 bilhões no período.

(Silvia Regina Rosa - InvestNews)